SÃO PAULO, 11 Jun (Reuters) – As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a quinta-feira com fortes baixas, superiores a 40 pontos-base em vários vencimentos, após o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelar ataques contra o Irã programados para a noite e afirmar que um acordo será assinado em breve.
O movimento acompanhou o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,51%, em baixa de 40 pontos-base ante o ajuste de 14,906% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,325%, com queda de 40 pontos-base ante o ajuste de 14,728%.
Já pela manhã as taxas futuras exibiam perdas no Brasil, em meio a ajustes após as fortes altas das últimas semanas, com investidores também apostando em um possível acordo entre EUA e Irã.
Depois de afirmar pela manhã que os EUA atacariam o Irã “com muita força esta noite”, à tarde Trump anunciou o cancelamento das ações.
Em reação, os rendimentos dos Treasuries aceleraram as perdas, assim como as taxas dos DIs. Este movimento se intensificou perto do fim da sessão regular, depois de Trump afirmar que os EUA fizeram “um ótimo acordo” com o Irã e que a assinatura ocorrerá em breve.
“Tem um pouco de ajuste em função da alta mais recente, porque é impossível não haver algum tipo de excesso (na curva brasileira)”, comentou o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research, ao justificar o recuo das taxas dos DIs.
“Mas o movimento aqui hoje é quase todo vindo do exterior, e a notícia (do cancelamento dos ataques) é mais um vetor para os preços.”
O recuo ocorreu a despeito de, pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar que o volume de serviços no país aumentou 1,2% em abril ante março, acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 0,6%, após queda de 1,1% em março. Em relação a abril de 2025, houve alta de 1,9%, contra projeção de 0,9%.
O resultado do setor de serviços é mais um dado que reforça as preocupações sobre o controle da inflação no Brasil. Desde 29 de maio, na esteira do resultado robusto do Produto Interno Bruto (PIB) e de outros indicadores divulgados posteriormente, instituições financeiras vêm alterando para cima suas projeções para a inflação e a Selic.
Neste cenário, a curva a termo segue embutindo apostas de que o Banco Central poderá elevar no segundo semestre a Selic, hoje em 14,50%, na esteira da deterioração das expectativas do mercado.
Para o encontro deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, as apostas majoritárias são de manutenção da Selic, mesmo que boa parte do mercado ainda veja espaço para um último corte de 25 pontos-base.
“O divisor de águas será amanhã, com o IPCA”, pontuou Spiess, destacando a divulgação do índice oficial de inflação de maio. “Se o IPCA for ruim, o Banco Central vai refletir e parar (os cortes da Selic) já nesta reunião (de junho).”
No exterior, às 16h37, após Trump falar sobre o acordo com o Irã, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– despencava 9 pontos-base, a 4,449%.
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