O índice de small caps (SMLL) encerrou maio com queda de 3,7%, pressionado pelo mesmo movimento que derrubou o Ibovespa: saída de capital estrangeiro, petróleo acima de US$ 100 com o conflito no Oriente Médio e reprecificação da curva de juros. Ainda assim, as corretoras mantiveram apostas no segmento para junho.
O quadro de valuation sustenta o interesse das casas pelo segmento, com papéis de pequeno porte da Bolsa negociando a 8,8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar muito inferior à média histórica de 13,1 vezes, conforme resume a Genial Investimentos. Trata-se também do maior desconto entre todos os recortes da Bolsa.
O destaque do mês ficou com a Orizon (ORVR3), que assumiu a dianteira do ranking de recomendações da compilação do InfoMoney, com seis indicações, seguida de perto pela Pague Menos (PGMN3).
Veja as small caps mais recomendadas para junho de 2026:
| Nome (TICKER) | Recomendações | Retorno em maio (%) | Retorno no ano (%) |
|---|---|---|---|
| Orizon (ORVR3) | 6 | -0,64 | 15,82 |
| Pague Menos (PGMN3) | 5 | -23,20 | -29,89 |
| 3tentos (TTEN3) | 4 | -7,14 | -4,40 |
| Marcopolo (POMO4) | 4 | -6,48 | 2,81 |
| Copasa (CSMG3) | 4 | -2,46 | 21,05 |
| Ibovespa (IBOV) | – | -7,22 | 7,86 |
| Índice Small Cap (SMLL) | – | -3,66 | -1,34 |
Orizon (ORVR3)
A Orizon está presente em seis das oito carteiras consultadas, o maior consenso do ranking. A companhia atua no setor de gestão de resíduos e tem expandido sua atuação para biometano e créditos de carbono, segmentos de maior retorno e que ganham relevância na tese de crescimento.
A XP destaca a melhora significativa no gate fee reportada no primeiro trimestre de 2026, enquanto o BTG ressalta o histórico de alocação de capital da empresa e a aquisição da Vital, cuja conclusão é esperada para os próximos meses e deve trazer sinergias no segmento de biometano. A companhia também entregou duas plantas de biometano recentemente e mantém crescimento real de tarifas, fatores que sustentam os resultados mesmo em ambiente de juros elevados.
Pague Menos (PGMN3)
A rede de farmácias aparece em cinco carteiras, mesmo após uma queda expressiva em maio, o BTG aponta recuo de 23,2% no mês para o papel, resultado que a própria instituição atribui ao posicionamento pesado de investidores e à abertura de juros. Para as casas, esse movimento aprofundou o desconto e tornou o valuation ainda mais atrativo.
O BTG projeta que a companhia pode entregar crescimento composto do lucro por ação de 32% entre 2026 e 2029, com o papel negociando a 8,5 vezes o P/L estimado para 2026. O principal catalisador apontado pelas corretoras é o recente aumento de capital, que fortalece o balanço e abre caminho para ganhos de produtividade, especialmente nas oportunidades ligadas ao segmento de medicamentos GLP-1. O Itaú BBA mantém preço-justo de R$ 8,00 e upside de 87% em relação à cotação atual.
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3tentos (TTEN3)
A empresa gaúcha de agronegócio integrado está em quatro carteiras, sustentada por resultados do primeiro trimestre de 2026 que recuperaram a confiança do mercado após um período de cautela. O BTG destaca que as margens de esmagamento de soja já melhoraram em relação ao ano anterior e devem continuar avançando à medida que os preços do óleo no Brasil se aproximem dos preços de Chicago.
O início das operações da planta de etanol de milho adiciona uma nova frente de crescimento, enquanto a divisão de varejo agrícola deve se beneficiar de preços mais elevados de fertilizantes. A ação negocia a 8 vezes o P/L estimado para 2026, com taxa de crescimento composta do lucro líquido superior a 15% nos próximos três anos e retorno sobre capital investido acima de 20%, segundo o BTG.
Marcopolo (POMO4)
A fabricante de carrocerias de ônibus figura em quatro carteiras e combina, na visão das corretoras, resiliência operacional com valuation atrativo. O Itaú BBA aponta que o papel negocia a cerca de sete vezes o lucro com dividend yield de aproximadamente 7,5% ao ano, combinação que oferece retorno defensivo mesmo em cenários de maior volatilidade.
A carteira de pedidos da companhia se estende ao longo de 2026, sustentada pela demanda doméstica por renovação de frotas, com programas como o Caminho da Escola, e pela crescente diversificação geográfica das receitas em países como Argentina, Colômbia, México e África do Sul. A BB Investimentos ressalta ainda a evolução operacional consistente e a melhora de margens observada nos últimos trimestres.
Copasa (CSMG3)
A companhia de saneamento mineira fecha o ranking com quatro recomendações, ancorada pelo processo de privatização em curso. Em janeiro, o governo de Minas Gerais definiu o modelo de privatização, marcando um passo importante no processo, e os principais catalisadores relacionados ao avanço das etapas devem se materializar nos próximos meses, segundo o BTG.
A Ágora e a Ativa também mantêm a ação em carteira, com destaque para o valuation descontado em relação a pares já privatizados, como a Sabesp. O BTG avalia que, caso a privatização se concretize, a Copasa pode apresentar duas fontes de valorização: crescimento da base regulatória líquida de ativos e redução de despesas operacionais como percentual dessa base. A ação negocia a 1,7 vez o EV/RAB, com P/L estimado de 12,7 vezes para 2026.
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