A renda fixa reafirmou seu papel como refúgio dos investidores brasileiros em maio. Enquanto o mercado internacional surfava na onda da inteligência artificial e na força das bolsas americanas, o cenário doméstico enfrentava incertezas fiscais, ruídos políticos e a reavaliação do ciclo de queda da Selic. Nesse contexto, os títulos pós-fixados foram os grandes vencedores.
A tônica de maio foi a cautela. Com a inflação dando sinais de resistência (o IPCA-15 de maio subiu 0,62%, acima do esperado) e as projeções do Boletim Focus para 2026 ultrapassando o teto da meta, o mercado passou a precificar juros altos por mais tempo. Esse movimento favoreceu diretamente os ativos pós-fixados.
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O IMA-S, que mede o desempenho do Tesouro Selic, entregou uma rentabilidade de 1,08% em maio, acumulando 5,76% no ano. O desempenho superou a média dos títulos públicos gerais (IMA-Geral), que ficou em 0,81%.
Mas o destaque do mês veio do crédito privado. As debêntures pós-fixadas (IDA-DI) registraram uma alta expressiva de 1,82% no mês. O resultado é reflexo de um movimento de fechamento de spreads após o estresse observado entre março e abril.
O IDA-Geral, que mede o desempenho de debêntures de todos os tipos fechou o mês com alta de 1,02%. Enquanto os títulos ligados ao DI se destacaram, as debêntures incentivadas (IDA-IPCA Infraestrutura) tiveram um desempenho modesto de apenas 0,16%.
Para o investidor que possui títulos prefixados e de inflação, maio foi um mês de ganho nominal abaixo dos pós-fixados. Os títulos públicos prefixados (IRF-M) renderam 0,67% em maio. Embora positivo, o valor ficou abaixo do CDI do período (1,07%).
| Ativos | Índice | Rentabilidade em maio | Rentabilidade no ano |
|---|---|---|---|
| Títulos públicos | IMA – Geral | 0,81% | 5,29% |
| Títulos públicos prefixados | IRF-M | 0,67% | 4,33% |
| Títulos públicos de inflação | IMA-B | 0,31% | 5,17% |
| Títulos públicos pós-fixados | IMA-S | 1,08% | 5,76% |
| Debêntures | IDA – Geral | 1,02% | 3,77% |
| Debêntures atreladas ao DI | IDA – DI | 1,82% | 5,78% |
| Debêntures incentivadas | IDA – IPCA Infraestrutura | 0,16% | 1,48% |
| Debêntures atreladas ao IPCA não incentivadas | IDA – IPCA ex-Infraestrutura | 0,80% | 5,65% |
| Debêntures atreladas ao IPCA | IDA – IPCA | 0,17% | 1,60% |
Olhando para frente, a reunião do Copom em junho será o grande fiel da balança para a renda fixa. Se o Banco Central adotar um tom mais duro para conter as expectativas de inflação que já superam 5% para 2026, os pós-fixados devem continuar reinando. O acumulado do ano já mostra os pós-fixados (5,76%) e as debêntures atreladas ao DI (5,78%) na liderança em 2026. Para o investidor, o recado de maio é que enquanto fiscal não melhorar, manter a liquidez no CDI e buscar oportunidades pontuais em crédito privado de alta qualidade pode ser um caminho interessante para preservar o patrimônio.
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