O mês de maio foi o pior para o Ibovespa em três anos. Pressões externas, como as incertezas em torno do conflito no Oriente Médio e a saída de fluxo estrangeiro, combinaram-se com dados internos negativos, incluindo a deterioração das expectativas de inflação e uma temporada de resultados do primeiro trimestre apenas satisfatória. O mercado passou a projetar uma taxa Selic de 14% ao fim de 2026, ante os 12% esperados no início do ano, tornando o ambiente ainda mais desafiador para a renda variável.
Nesse contexto, ações com geração de caixa comprovada e distribuição consistente de proventos se destacam como alternativa defensiva. O InfoMoney consultou dez corretoras e casas de análise para compilar as ações de dividendos mais recomendadas para junho de 2026, e seis papéis apareceram em pelo menos cinco das dez carteiras analisadas.
| Ação | Recomendações | DY em 12 meses (%) |
|---|---|---|
| Allos (ALOS3) | 8 | 11,44% |
| Petrobras (PETR4) | 8 | 10,17% |
| Vale (VALE3) | 7 | 10,25% |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | 5 | 9,37% |
| Copel (CPLE3) | 5 | 9,07% |
| Axia Energia (AXIA3) | 5 | 8,68% |
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Em relação a maio, as principais novidades do ranking são a entrada de Vale (VALE3) e Axia Energia (AXIA3), que atingiram ao menos cinco recomendações graças a movimentações de Ágora, Genial e XP. A Vale foi incluída nas carteiras de dividendos da Ágora e da Genial em junho, enquanto a Axia foi adicionada pela XP, que a elegeu em substituição ao Santander (SANB11). Do lado das saídas, Vibra Energia (VBBR3) e Santander (SANB11) deixaram o grupo das mais indicadas após saírem das carteiras do BTG Pactual e da Genial, e da XP, respectivamente.
O índice IDIV, referência para ações pagadoras de dividendos, recuou 7,62% em maio, mas acumula alta de 21% nos últimos 12 meses. Para a Empiricus Research, o cenário reforça a tese de papéis defensivos: “uma carteira um pouco mais defensiva com boas geradoras de caixa e pagadoras de dividendos nos parece a melhor forma de encarar esse ambiente”, afirmam os analistas da casa no relatório de junho. A visão é compartilhada pelas demais instituições, que mantêm exposição a companhias com previsibilidade de proventos diante de um ciclo de juros que pode se estender mais do que o esperado.
Confira as análises das ações:
Allos (ALOS3)
Líderes em número de recomendações ao lado da Petrobras, as ações da Allos aparecem em oito das dez carteiras consultadas, com dividend yield de 11,44% nos últimos 12 meses. O BTG Pactual avalia que a empresa traz defensividade ao portfólio e, pela sua natureza de proxy de renda fixa, também oferece exposição a um ambiente de taxas de juros em queda. O banco destaca que a Allos anunciou um guidance de distribuição de dividendos para 2026 com yield implicado de 12,2% e considera que o mercado ainda não precificou totalmente a nova política de payout da companhia, caso ela se mostre sustentável.
A Ativa Investimentos ressalta que a empresa realizou pagamento de dividendos em maio, reforçando o compromisso com a nova estratégia de retorno ao acionista. O Santander reiterou recomendação de compra com preço-alvo de R$ 38,50 para 2026, destacando o portfólio de 55 shoppings distribuídos pelas cinco regiões do Brasil, fruto da fusão entre Aliansce Sonae e brMalls em 2023, como a principal base para a geração de caixa recorrente que sustenta a política de dividendos.
Petrobras (PETR4)
A Petrobras divide o primeiro lugar com oito recomendações e yield de 10,17% em 12 meses. A Terra Investimentos destaca a posição de liderança da estatal na exploração, produção e refino de petróleo no Brasil, com produção próxima de 2,2 milhões de barris por dia, majoritariamente concentrada no pré-sal, onde a produtividade é elevada e os custos são competitivos. O baixo custo de extração sustenta margens robustas e forte geração de caixa, fatores que, segundo a corretora, favorecem a manutenção de dividendos relevantes.
O Itaú BBA explica que as ações da Petrobras apresentaram o segundo pior retorno do mês de maio entre os papéis da categoria, com queda de 14,4%, pressionadas principalmente pelas notícias sobre uma possível negociação de cessar-fogo no conflito do Oriente Médio. O BTG Pactual reconhece a relação de risco/retorno atraente da ação, mas pondera que o fluxo de notícias sobre o eventual acordo e a venda de ações preferenciais pelo BNDES pode continuar pesando sobre as cotações no curto prazo.
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Vale (VALE3)
Com sete recomendações e dividend yield de 10,25% em 12 meses, a Vale é o terceiro papel mais indicado nas carteiras de dividendos de junho. O Itaú BBA ressalta que as ações da mineradora foram o destaque positivo de maio entre os papéis da categoria, com retorno de 2%, sustentado pelo caráter defensivo do papel, pela resiliência do preço do minério de ferro nos mercados internacionais e pela exposição positiva das receitas ao dólar. A instituição avalia que o mercado atribui crescente probabilidade a uma distribuição extraordinária de dividendos nos próximos trimestres, fazendo com que a tese atraísse a atenção de investidores focados em renda passiva.
A Genial Investimentos incluiu a Vale em sua carteira de junho avaliando que os preços das principais commodities da empresa, notadamente minério de ferro, cobre e níquel, seguem em patamar favorável à geração de caixa e à distribuição de proventos.
Itaú Unibanco (ITUB4)
O Itaú Unibanco aparece em cinco carteiras, com yield de 9,37% nos últimos 12 meses. O BTG Pactual observa que as ações recuaram 7% nos últimos 30 dias, pressionadas pelo sentimento mais fraco em relação à bolsa brasileira e por preocupações com a qualidade dos ativos no setor bancário como um todo. No caso do Itaú, porém, a qualidade dos ativos permanece muito sólida, e o banco vem reduzindo proativamente a exposição ao crédito de maior risco.
Para a Empiricus Research, o papel exemplifica o perfil buscado pelas casas na atual conjuntura: empresas com modelos de negócio resilientes, vantagens competitivas, previsibilidade de resultados e capacidade de geração de caixa livre comprovada, que permitem a distribuição de proventos sustentáveis e o benefício dos juros compostos para o acionista de longo prazo.
Copel (CPLE3)
A Copel integra cinco carteiras com yield de 9,07% e se destaca pelo processo de transformação concluído recentemente. O Santander lembra que a empresa finalizou a migração para o Novo Mercado, na qual cada ação preferencial recebeu uma ação ordinária e R$ 0,7749 em dinheiro, num processo que a corretora avalia como positivo para a liquidez e a governança corporativa da companhia, com potencial de atrair fluxo estrangeiro adicional.
A XP Investimentos mantém a ação como uma das principais posições em sua Carteira Top Dividendos, com peso de 15%. O BB Investimentos também inclui o papel na composição de junho, reforçando a visão de que a Copel segue cumprindo consistentemente suas metas pós-privatização, com a nova política de dividendos aprovada no início de 2026 contribuindo para tornar a tese mais atrativa.
Axia Energia (AXIA3)
A Axia Energia, antiga Eletrobras, encerra o ranking com cinco recomendações e yield de 8,68% em 12 meses. O Santander destaca a posição da empresa como a maior do setor elétrico da América Latina, com 43,9 gigawatts de capacidade instalada de geração, o equivalente a 20% da capacidade nacional, e 74 mil quilômetros de linhas de transmissão, correspondentes a 37% do Sistema Interligado Nacional, com geração 100% proveniente de fontes renováveis.
A XP Investimentos adicionou o papel em sua carteira Top Dividendos em junho, após a recente queda das ações deixar os múltiplos de valuation mais atrativos. A casa projeta um El Niño forte no segundo semestre, o que deve elevar temperaturas, aumentar o consumo de energia e beneficiar diretamente a Axia. Para o BTG Pactual, a empresa ainda está nos estágios iniciais do que deve se tornar uma importante fonte de caixa e pagadora de dividendos, após sinalizar essa mudança com o anúncio de pagamentos extraordinários que somam mais de R$ 8 bilhões desde março de 2025.
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