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Tsunami da IA fará dólar disparar, diz gestor dissidente: “será um pandemônio”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Tsunami da IA fará dólar disparar, diz gestor dissidente: “será um pandemônio”

Marcio Appel começou a comprar Nvidia em 2022, quando o mercado ainda tratava a inteligência artificial como curiosidade. Quatro anos depois, o gestor conhecido pelas teses fora do consenso carrega a mesma lógica para o câmbio: enquanto investidores comemoram o real a R$ 5 e esperam pela volta do fluxo estrangeiro para a Bolsa, ele enxerga uma ilusão prestes a se desfazer: “o câmbio está bom até que ele comece a virar e, quando começar na direção contrária, vai ser pandemônio”, disse o cofundador da Adam Capital em entrevista ao InfoMoney.

O gestor defende que o mercado está cometendo um erro histórico ao perseguir os efeitos da guerra no Oriente Médio enquanto ignora “a revolução da IA” que, na sua visão, irá fortalecer o dólar globalmente. “Não é comparável a nenhuma outra revolução tecnológica que a gente teve. É ordem de grandeza mais importante do que a revolução industrial”, diz. “Nunca teve nada tão óbvio, será um tsunami.”

Appel compara o processo à segunda metade dos anos 1990, quando o boom da internet drenou recursos para os EUA, valorizou o dólar em quase 60% contra o euro e precipitou crises cambiais em emergentes, incluindo o Brasil. Desta vez, diz, o processo é ainda mais intenso: as empresas que lideram o ciclo têm lucros reais, os múltiplos são mais comportados e a demanda por capital é maior. “A gente está vivendo o equivalente a 1995, mas em esteroides.”

A comparação também levanta o paralelo que mais assusta o mercado: a bolha de 2000. Para Appel, no entanto, o raciocínio é equivocado, fruto de análises com base em trauma trazido daquele ciclo: “gato escaldado tem medo de água fria”. “Toda vez que alguém fala de bolha, que chegou no topo, eu fico feliz”, ironiza o gestor.

“O mercado está totalmente posicionado contra o dólar, mas o câmbio não deveria estar em R$ 5, deveria estar em R$ 8.”

— Marcio Appel, sócio da Adam Capital

Sem espaço para Brasil

Na Adam não há espaço para apostas em Brasil: “os EUA são o melhor lugar do mundo, onde está sendo feito tudo certo do ponto de vista econômico e onde está acontecendo a revolução tecnológica. Enquanto o resto do mundo se pergunta o que o governo pode fazer para ajudar, nos EUA é o contrário: vamos tirar o governo de todos os lugares.”

Seus pares lá fora também estão empolgados com o potencial da IA. Segundo levantamento do Goldman Sachs, os hedge funds globais aumentaram sua exposição líquida ao setor de tecnologia no primeiro trimestre no maior ritmo da história. Sete dos doze papéis que entraram na lista de posições mais populares entre os fundos são empresas de infraestrutura de IA, e semicondutores chegaram a 10% das carteiras compradas, peso recorde para o segmento.

Na visão negativa para o real, Appel também não parece estar sozinho nem no Brasil. A exposição dos fundos macro locais ao chamado “kit Brasil” recuou para próximo de um desvio padrão abaixo da média histórica, e a posição vendida em dólar contra real está próxima de zero em todas as métricas analisadas, aponta levantamento da XP.

“A tese para estar comprado em real é o carrego. As pessoas acham que 14% é muito, mas a gente acha que a taxa de juros hoje no Brasil é expansionista, não contracionista”, diz o gestor da Adam, defendendo a ideia de que a Selic ainda não deveria ter caído. “O mercado está totalmente posicionado contra o dólar, mas o câmbio não deveria estar em R$ 5, deveria estar em R$ 8.”

Ensaio de retomada

Foi apostando nessa tese que o Adam Macro II registrou o melhor mês desde o início do fundo, em 2016: após três meses consecutivos de perdas, entregou em abril retorno de 14,42%, equivalente a mais de 13 vezes o CDI. E em maio segue na mesma toada, com alta de 11,43% até o dia 21, e rentabilidade de 22,19% em 12 meses, com volatilidade anualizada de 12%. O histórico de longo prazo é mais irregular: em 2025, o fundo rendeu 5,03% contra 14,32% do CDI, e desde o início acumula 125,64% ante 144,65% do benchmark.

A Adam está comprada em ações americanas de tecnologia, vendido em cesta de moedas contra o dólar e em bolsa brasileira, e tomado em juros nominais e inflação implícita no Brasil. No fim de 2025, após cinco anos, a gestora também voltou a operar ações individuais nos multimercados, concentrando a carteira em empresas da cadeia de suprimentos de IA, o que ajuda a explicar a performance recente.

Para Appel, contudo, o mais importante ainda não aconteceu. “O nosso cenário ainda não começou a aparecer. Se ele aparecer, o resultado vai ser muito superior ao que aconteceu até aqui.”

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