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Petrobras: dados do 1T e dividendo não animam – mas paciência será recompensada no 2T

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou seus resultados na noite da segunda-feira (11) que não brilharam os olhos do mercado, mas que nem por isso devem levar a uma revisão para baixo nos números da companhia.

A petroleira reportou uma queda de 7,2% no lucro líquido do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, resultado que ainda não reflete a recente disparada dos preços globais do petróleo. O lucro líquido da companhia somou R$ 32,7 bilhões entre janeiro e março, ante R$ 35,2 bilhões no primeiro trimestre do ano passado, segundo relatório de desempenho divulgado pela empresa nesta segunda-feira. O resultado ficou ligeiramente abaixo das estimativas de analistas consultados pela LSEG, que apontavam R$ 34,4 bilhões.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado, em dólares, ficou em US$ 11,7 bilhões, com uma alta de 7,3% na comparação com o 4T25, mas ainda assim 7,1% abaixo das projeções da XP e 8,9% em relação ao consenso, conforme aponta o analista Regis Cardoso, que assina o relatório de análise da casa.

O Morgan Stanley também aponta que, olhando para os segmentos, a volatilidade do preço do petróleo distorceu os resultados, com o de Exploração e Produção (E&P) ficando 20% abaixo do nosso modelo.

“Entendemos que a Petrobras precifica a maioria das exportações (principalmente para a Ásia) com uma defasagem de 30 a 45 dias, negociando o momento em que as cargas saem do Brasil para a longa viagem. Também entendemos que a Petrobras precifica as vendas domésticas com base na paridade de exportação, resultando no ‘pagamento’ de impostos de exportação pelo segmento de E&P sobre 100% dos volumes (sem impacto nos resultados consolidados, mas afeta a alocação por segmento)”, avalia.

Além disso, os custos de extração no pré-sal, de US$ 4,7/boe (barris de óleo equivalente), aumentaram 10,6% em relação ao trimestre anterior e 4,9% em relação ao ano anterior, impulsionados por um real mais forte, bônus de desempenho por aumento da capacidade das FPSOs (Alm. Barroso e Alm. Tamandaré) e despesas pré-operacionais da FPSO P-78, aponta o banco.

Cabe ressaltar que, excluindo eventos exclusivos, o lucro líquido foi de R$ 23,8 bilhões no período, praticamente estável em relação a um ano antes. A própria Petrobras ressaltou que “o aumento recente dos preços do petróleo e o recorde da produção praticamente não se refletiram nas receitas do 1º trimestre”. O petróleo Brent, referência internacional, subiu acima de US$ 100 após o início do conflito dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro.

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Assim, o resultado abaixo das expectativas é explicado principalmente por preços de realização mais baixos do que o esperado nas exportações de petróleo bruto (aproximadamente US$ 72/bbl, +6,5% trimestralmente, versus a alta de 27% no brent).

Reflexo nos dividendos…

Os analistas de mercado também ressaltam que, com os números não refletidos, os dividendos de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,03 bilhões, cerca de 1,4% de retorno no trimestre) e a geração de fluxo de caixa livre também ficaram abaixo das suas estimativas. O consenso de mercado apontava um provento entre US$ 2,3 bilhões e US$ 2,4 bilhões. No caso da XP, foi em em magnitude semelhante à diferença no Ebitda. Os dividendos, conforme aponta o Morgan, ficaram no limite inferior do consenso, 20% abaixo da média de US$ 0,36 por ADR (recibo de ações negociado nos EUA), a US$ 0,29.

“A nosso ver, os resultados do 1T26 da Petrobras decepcionaram as expectativas e provavelmente devem desencadear uma reação negativa nas ações no próximo pregão. No entanto, entendemos que isso não deve se traduzir em revisões das estimativas para baixo relevantes à frente”, ressaltou o analista da XP em relatório antes da abertura do mercado.

Para o 2T26, avalia Cardoso, a expectativa é por resultados substancialmente melhores, à medida que a Petrobras deva capturar mais upside dos preços mais altos do Brent via preços de realização de exportação, reajustes de derivados e captura do benefício do programa de subsídio ao diesel do Governo.

O Morgan Stanley aponta que os investidores focados em dividendos de curto prazo provavelmente ficarão desapontados com os resultados do 1º trimestre de 2026, “mas nos concentramos na direção da trajetória, na qualidade dos ativos, no crescimento e no poder de geração de lucros”, avalia.

“Vemos todos esses fatores evoluindo positivamente no futuro. Com a precificação das exportações do 2º trimestre de 2026 no período de março a maio e a produção se mantendo forte até o momento (cerca de 5% acima do acumulado do 1º trimestre de 2026), vemos a empresa se aproximando de resultados operacionais próximos a recordes históricos”, avalia.

Além disso, embora os preços dos combustíveis permaneçam bem abaixo da paridade de importação (cerca de 16% para o diesel e 37% para a gasolina no acumulado do trimestre), o iminente corte de impostos federais sobre a gasolina e possíveis novos aumentos de preços até o final de junho podem aliviar a pressão, juntamente com spreads internacionais ainda favoráveis.

Desta forma, o Morgan mantém recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para as ações. “A tese da Petrobras tem se concentrado nos dividendos de curto prazo nos últimos três anos — um indicador de rentabilidade atrativo. No entanto, em nossa opinião, o mercado negligenciou o valor intrínseco do portfólio de exploração e produção da empresa, onde o crescimento pode surpreender positivamente”, avalia. O banco acredita que a melhoria na execução e um crescimento surpreendente na produção podem impulsionar uma mudança para os fundamentos. Nesse contexto, aponta que uma capitalização de mercado potencial de US$ 200 bilhões parece possível, mesmo com preços do petróleo mais baixos.

Já para o Goldman Sachs, que também tem recomendação de compra para os ativos, o Ebitda ajustado mais fraco do que o esperado no segmento de exploração e produção (reiterando que foi impactado por uma discrepância no reconhecimento de receita) foi mais do que compensado por margens de refino acima do esperado.

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O JPMorgan também reforça que, embora os resultados financeiros sejam fracos – destacando também a discrepância no reconhecimento de receitas – , a tese central permanece intacta: (a) os efeitos de timing devem se dissipar; (b) os preços mais altos do petróleo devem se refletir mais plenamente nas exportações e nos lucros realizados nos próximos trimestres; e (c) maiores despesas de capital não são necessariamente negativas, dada a concentração em projetos de alta qualidade no pré-sal (por exemplo, Búzios). “Nos momentos de queda, compraríamos”, aponta, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os papéis”.

A Suno Research ressalta que o 1T26 da Petrobras é um trimestre que não decepciona estruturalmente, mas frustra na margem. A operação está entregando — produção recorde, custo no Pré-sal ainda competitivo, refino capturando margem internacional, balanço sólido, enquanto o timing do reconhecimento de receita “comeu” o efeito do Brent, o capital de giro pesou no FCO (fluxo de caixa operacional) e os dividendos vieram apenas razoáveis em um trimestre que, pelo cenário de preços, prometia mais. A Suno mantém a recomendação inalterada para PETR4 — o efeito do Brent atual deve aparecer já no 2T26, e o caso de investimento segue válido para quem entende que está comprando uma estatal com fundamentos de petróleo de baixo custo, não um compounder de alta convicção.

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