A indústria de fundos de investimento encerrou abril com resgates líquidos de R$ 18,1 bilhões, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divulgados na segunda-feira (11). A maior parte das saídas veio da renda fixa, que registrou captação líquida negativa de R$ 19,3 bilhões no mês, em movimento atribuído à cautela do investidor com crédito privado.
Os dados confirmam o que dados preliminares já sinalizavam no início de abril: os fundos de crédito já acumulavam R$ 4,6 bilhões em resgates líquidos apenas nos primeiros oito dias úteis do mês, reflexo de pedidos que tinham começado a ser feitos em março, após os pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) e do GPA (PCAR3).
Na época, analistas alertavam que o pico ainda poderia estar por vir, dado o prazo longo de resgate característico da classe, o que acabou sendo confirmado no fechamento do mês.
A sangria não se distribuiu de forma homogênea dentro da categoria. Os fundos de renda fixa de crédito livre com maior duration, ou seja, que concentram boa parte da exposição ao crédito privado corporativo, acumularam resgates de R$ 14,2 bilhões só em abril. No sentido oposto, os equivalentes de prazo mais curto atraíram R$ 8,2 bilhões no mesmo período, sinalizando que o investidor não abandonou a classe, mas migrou para posições mais conservadoras dentro dela.
“A cautela do investidor em relação ao crédito privado continuou em abril e isso pode ter se refletido nos fundos. Como a renda fixa vem de um trimestre muito forte, é natural que aconteça algum ajuste no curto prazo. Vamos monitorar para avaliar se esse foi um movimento pontual ou uma tendência”, afirmou Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Além da renda fixa, multimercados e previdência também fecharam abril no negativo, com resgates de R$ 5,4 bilhões e R$ 3,4 bilhões, respectivamente. As três categorias juntas acumularam saídas de R$ 28,1 bilhões, volume superior ao total líquido da indústria, o que indica compensação parcial em outras classes.
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Apesar das saídas no mês, o patrimônio líquido total da indústria atingiu R$ 11,05 trilhões em abril, o maior patamar da série histórica da Anbima. A renda fixa seguiu como a maior categoria, com PL de R$ 4,6 trilhões, seguida pela previdência (R$ 1,8 trilhão) e pelos multimercados (R$ 1,5 trilhão). No acumulado do ano, a indústria ainda apresenta captação líquida positiva de R$ 159 bilhões, o que coloca abril como um ajuste dentro de um ciclo de captação ainda favorável para 2026.
Do lado da captação, FIDCs lideraram as entradas em abril, com captação líquida de R$ 4,5 bilhões, seguidos pelos ETFs, com R$ 4 bilhões. Os fundos cambiais somaram R$ 711 milhões positivos, os FIPs registraram R$ 377 milhões, os Fiagros ficaram com R$ 211 milhões e os fundos de ações encerraram o mês com captação líquida positiva de R$ 187 milhões, o primeiro resultado no azul após três meses consecutivos de saídas.
Rentabilidade
No campo do desempenho, os fundos de ações com investimento no exterior foram o destaque do mês, com retorno de 3,37%. Os multimercados equivalentes rentabilizaram 0,85% no período. Na renda fixa, a categoria de duração baixa grau de investimento rendeu 1,07%, enquanto os fundos cambiais perderam 4,01%, reflexo da valorização do real frente ao dólar ao longo de abril.
O que vem pela frente
O cenário do crédito privado tende a permanecer sob pressão nos próximos meses. Além dos resgates ainda em curso (parte dos pedidos feitos em março e abril só se materializa nos dados com defasagem de 30 a 90 dias), o mercado primário de debêntures opera em ritmo lento, com emissões canceladas e postergadas em abril, o que deve afetar a precificação dos papéis já em circulação nas carteiras dos fundos.
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