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Efeito dos juros compostos: entre construir patrimônio e ampliar dívidas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Efeito dos juros compostos: entre construir patrimônio e ampliar dívidas

Seja na hora de investir pensando no futuro, ou de recorrer ao crédito para fechar as contas do mês, o efeito dos juros compostos estão presentes em nosso dia a dia.

O mesmo mecanismo que ajuda a multiplicar patrimônio ao longo do tempo também pode acelerar o endividamento quando mal utilizado. A diferença está na forma como ele entra na vida financeira.

“Dívida não é necessariamente algo ruim. Ela pode ser algo bom, desde que seja usada para construir patrimônio”, afirma o planejador financeiro Carlos Castro. Ou seja, o crédito pode tanto impulsionar objetivos de longo prazo quanto comprometer o orçamento, e foi sobre este cuidado que o especialista falou ao InfoMoney.

Quando a dívida deixa de ser ferramenta e vira problema

A diferença começa a aparecer no tipo de crédito usado e, principalmente, no tempo em que ele permanece aberto.

“Cartão de crédito e cheque especial são dívidas de curto prazo, com juros altos, que devem ser usados por um período muito curto”, alerta Castro.

O problema surge quando esse uso se estende. Uma dívida que deveria durar dias ou semanas passa a atravessar meses, e, nesse movimento, o efeito dos juros compostos começa a ganhar peso dentro do planejamento financeiro.

Por outro lado, modalidades como crédito imobiliário ou estudantil operam com taxas mais baixas e horizontes mais longos, com outra lógica de custo e finalidade. O cuidado necessário, diz Castro, é não confundir essas duas estruturas, para evitar o chamado efeito dos juros compostos conhecido como “bola de neve”.

“Quando os juros incidem sobre um saldo que não é liquidado, o valor cresce ao longo do tempo, ocupando espaço entre outras despesas. sem uma visão clara do tamanho da dívida e do custo envolvido, o pagamento tende a se organizar apenas em torno da parcela, o que prolonga o problema”, reforça o especialista.

Como interromper o efeito dos juros compostos e reorganizar o uso do crédito

Quando a dívida já está instalada, o primeiro movimento é entender exatamente o que está em jogo.

“É preciso fazer um levantamento do saldo devedor, entender quais são as linhas de crédito usadas, quais são as taxas e quando essas dívidas terminam”, afirma Castro.

Depois, vem o segundo passo: priorizar o pagamento das dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial. Essas são justamente as que mais pressionam o saldo ao longo do tempo. 

Em alguns casos, isso envolve trocar o tipo de crédito. “Quando existe acesso a linhas com juros menores, como consignado ou outras modalidades bancárias, pode fazer sentido usar esse recurso para quitar dívidas mais caras”, avalia Castro.

Existe ainda um ponto menos visível, mas que sustenta o ciclo de endividamento: a forma como o dinheiro circula no dia a dia. Pagamentos digitais, cartão e transferências instantâneas tornam o gasto menos perceptível. Sem esse acompanhamento, o orçamento passa a ser feito de cabeça, com base na sensação de que “cabe no bolso”.

Carlos Castro aconselha organizar o orçamento em três grupos: essenciais, sociais e de autorrealização. Essa divisão, segundo ele, ajuda a dar contorno às decisões e abre espaço para incluir a formação de reserva financeira, reduzindo a dependência de crédito em momentos de aperto.

“Quando o crédito financia consumo imediato e não gera valor, ele tende a ocupar o espaço que poderia ser usado para formar patrimônio, e mantém o orçamento preso a um ciclo difícil de interromper”, conclui o especialista.

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