SÃO PAULO, 5 Mai (Reuters) – O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, apoiado principalmente no desempenho das ações da Ambev (ABEV3), que dispararam após resultado trimestral acima das expectativas, em pregão marcado pela repercussão de uma série de resultados corporativos.
Investidores da bolsa paulista também seguiram atentos à situação no Oriente Médio, além de analisarem a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na semana passada, quando a Selic foi reduzida a 14,50% ao ano.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,62%, a 186.753,82 pontos, tendo marcado 187.427,56 pontos na máxima e 185.364,01 pontos na mínima. O volume financeiro somou R$26,2 bilhões.
Na visão do estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, o alívio nos preços do petróleo no exterior corroborou o desempenho positivo na bolsa paulista. O barril sob o contrato Brent encerrou em baixa de 3,99%, a US$109,87.

Ibovespa tem primeira alta de maio, com exterior, Ambev e bancos
Índices nos EUA fecham com ganhos, em meio à temporada de balanços e baixa do petróleo

Dólar hoje cai 1% e se aproxima de R$ 4,90 com alívio externo e ata do Copom no radar
Movimento reflete a combinação de um dólar mais fraco no exterior com fluxo positivo para ativos de risco, em um cenário de percepção de descompressão das tensões entre EUA e Irã
“Esse recuo ajuda a reduzir a pressão inflacionária e também melhora o humor dos mercados, especialmente diante das tensões externas envolvendo o Estreito de Ormuz, que permanece fechado há cerca de dois meses, gerando incertezas relevantes”, afirmou.
Ele também enxergou um “tom mais conciliador” relativo ao cenário no Oriente Médio, após o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmar que o Projeto Liberdade tem caráter defensivo e temporário, indicando que Washington não busca escalada de conflitos.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 0,81%.
No Brasil, o Copom afirmou que a continuidade da guerra no Irã aumenta a chance de impactos duradouros na economia global e que o conflito já pode ter sido suficiente para materializar riscos para a inflação no Brasil, especialmente a piora em expectativas de mercado.
DESTAQUES
• AMBEV ON (ABEV3) disparou 15,3%, para R$16,65, máxima de fechamento desde abril de 2018. Foi também a segunda maior alta em um dia, considerando o fechamento, desde a criação da companhia em 1999. A fabricante de bebidas reportou Ebitda ajustado de R$7,56 bilhões, expansão de 10,1% em termos orgânicos, com a margem passando de 33,1% para 33,6%. O volume cresceu 1,2%, alcançando novo recorde para um primeiro trimestre. A companhia também aprovou pagamento de juros sobre capital próprio e manteve previsões para o ano.
• HAPVIDA ON (HAPV3) fechou em alta de 1,83%, com analistas chamando a atenção para dados da ANS que mostraram adição líquida de 22 mil clientes de seus planos de saúde em março.
• BB SEGURIDADE ON (BBSE3) avançou 1,77%, um dia após divulgar lucro líquido ajustado de R$2,2 bilhões no primeiro trimestre, alta de 11,2% em relação a um ano antes, impulsionado em parte por melhora no resultado financeiro.
• MARCOPOLO PN (POMO4) cedeu 1,1%, mesmo após o balanço mostrar Ebitda de R$304,8 milhões, alta de 16% na comparação anual. A receita, por sua vez, caiu 1,3%.
• ISA ENERGIA (ISAE4) caiu 0,17%, com investidores avaliando lucro líquido de R$357,7 milhões no primeiro trimestre, 6% acima do apurado um ano antes, impulsionado pela entrada em operação de novas linhas e subestações.
• VALE ON (VALE3) recuou 0,34%, após forte queda na véspera, ainda sem a referência dos preços do minério de ferro na China, em razão de feriado naquele país.
• ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) encerrou com alta de 0,14% antes da divulgação do balanço após o fechamento. No setor, BRADESCO PN (BBDC4) subiu 1,56%, BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) avançou 0,05% e SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) ganhou 0,74%.
• PETROBRAS PN (PETR4) recuou 1,38%, acompanhando a queda do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON (PRIO3) caiu 0,94%, com investidores também analisando dados de produção de abril.
• BRADESCO SAÚDE ON (BDSA3), que não integra o Ibovespa, avançou 6,06% em sua estreia na B3. A companhia nasceu da consolidação das operações do Bradesco no segmento de saúde, por meio de combinação com a Odontoprev (ODPV3). Segundo executivos, trata-se do maior IPO reverso já realizado na B3.
• MOVIDA ON (MOVI3), fora do Ibovespa, subiu 4,32%, apoiada no balanço do primeiro trimestre e na projeção de lucro líquido entre R$110 milhões e R$130 milhões no segundo trimestre.
• IRB(RE) ON (IRBR3), que deixou o Ibovespa na carteira que passou a vigorar na segunda-feira, valorizou-se 3,41%, tendo no radar lucro líquido de R$101,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 14,8% na comparação anual.
• LOG ON (LOGG3), também fora do Ibovespa, avançou 2,31% após reportar lucro líquido de R$134 milhões no primeiro trimestre, alta de 55,2% em relação a um ano antes.
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