
A entrada maciça de capital estrangeiro na bolsa brasileira tem beneficiado diretamente a Petrobras (PETR4), impulsionada pela valorização do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio. Contudo, gestores nacionais alertam para o caráter passivo desse fluxo.
Como o dinheiro estrangeiro entra via índices, ele compra automaticamente as ações de maior peso, ignorando fundamentos específicos que podem se deteriorar no longo prazo.
Cesar Paiva (Real Investor) e Pedro Gonzaga (Mantaro Capital) discutiram esse cenário no podcast Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. Eles observam que, embora o barril do petróleo opere entre US$ 110 e US$ 120, a tendência histórica sugere um retorno para a faixa de US$ 50 a US$ 60.
Para os especialistas, mudar a estratégia da carteira apenas para surfar essa onda temporária pode ser um erro custoso para o investidor.
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A disciplina de manter a filosofia de investimento, independentemente do humor do mercado, foi o principal aprendizado reforçado no encontro da Berkshire Hathaway.
Paiva defende que o foco deve permanecer em empresas bem geridas e com lucros crescentes a preços justos.
Para ele, essa “regra de ouro” é o que protege o patrimônio contra as oscilações bruscas provocadas por eventos geopolíticos ou fluxos migratórios de capital.
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Eleições e a janela de oportunidade institucional
No radar doméstico, as próximas eleições surgem como um possível catalisador de valor. No entanto, Pedro Gonzaga enxerga um movimento mais profundo: a deterioração institucional em mercados maduros, como os Estados Unidos, está forçando investidores globais a diversificarem seus portfólios.
Nesse contexto, o Brasil surge como uma alternativa viável para o capital que busca refúgio e ativos reais.
A resiliência das empresas brasileiras, que sobreviveram a sucessivas crises nos últimos anos, aliada a instituições que têm respondido com maturidade aos desafios, cria uma janela de oportunidade rara.
Para o gestor da Mantaro Capital, as companhias que passaram por esses “testes de estresse” estão mais preparadas para capturar o crescimento quando o cenário macroeconômico se estabilizar.
A lição de Omaha, portanto, não é sobre novidades tecnológicas, mas sobre a reafirmação de princípios.
Paiva cita a famosa regra número um de Warren Buffett — “não perca dinheiro” — como o norteador absoluto.
Em um mercado inundado por capital passivo e volatilidade nas commodities, a preservação do capital torna-se o diferencial entre o sucesso e o fracasso nos investimentos.
O perigo da última decisão e o futuro em Omaha
Outro ponto destacado foi o risco de comprometer um histórico de décadas com uma única decisão equivocada no final da jornada.
Pedro Gonzaga ressaltou como Buffett manteve o rigor em suas últimas apostas, como Apple (AAPL) e empresas japonesas, garantindo que o efeito dos juros compostos não fosse interrompido por erros de julgamento tardios. Isso, acrescenta, é um alerta para o investidor que busca atalhos no fim de ciclo.
Quanto ao futuro do evento em Omaha, os gestores sinalizam que devem retornar em 2027, embora notem que o encontro está mudando de perfil.
Com um público menor e menos “brilho” após a saída de Buffett do palco, a tendência é que o evento se torne mais técnico e voltado a investidores dedicados à filosofia de valor.
Essa mudança, dizem, pode favorecer interações mais profundas e trocas de experiências mais ricas.
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