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Dólar a R$ 5 impulsiona não só compras, mas também planos de nova vida no exterior

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Dólar a R$ 5 impulsiona não só compras, mas também planos de nova vida no exterior

A queda do dólar para patamares próximos a R$ 5 voltou a estimular o apetite dos brasileiros por compras nos Estados Unidos. O movimento reforça a ideia de vantagens e, principalmente, de oportunidades, influenciando não só as decisões de consumo e viagens internacionais como também de fazer planos de vida no exterior.

Diferente de outros ciclos cambiais, o impacto hoje tem sido mais sofisticado. Isso porque o câmbio continua relevante, mas as compras já não são o único fator que move esse mercado, segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney.

Na prática, o dólar mais baixo ainda funciona como gatilho para o consumo, especialmente em segmentos como enxoval de bebê, tradicional entre brasileiros que viajam para os EUA. “Esse tipo de movimento sempre gera mais interesse, porque melhora a percepção de oportunidade e incentiva as famílias a antecipar a viagem ou fechar compras”, afirma Richard Harary, da MacroBaby.

O efeito, porém, mudou de intensidade. “Antigamente, a variação do dólar influenciava muito mais. Hoje, o brasileiro já está acostumado com a volatilidade e incorpora isso no planejamento”, acrescenta o executivo.

Essa mudança ajuda a explicar por que a demanda se mantém mesmo em cenários de dólar mais alto, embora ganhe tração quando o câmbio fica mais favorável.

Leia Mais: Dólar abaixo de R$ 5 impulsiona turismo e cria janela para viagens ao exterior

Impactos

Um dos sinais dessa nova dinâmica é que o impacto do dólar não se dá apenas no volume de turistas, mas no comportamento de compra. “Quando o câmbio está mais favorável, o cliente se sente mais confortável para comprar mais categorias ou escolher produtos de maior valor”, afirma Harary.

Por outro lado, o avanço do comércio eletrônico mudou um pouco o jogo. Segundo o empresário, as vendas online já superam as realizadas por turistas, o que reduz a dependência direta do fluxo de brasileiros viajando para os Estados Unidos.

Vantagem

Outro ponto relevante é que, mesmo quando a moeda americana está mais cara, comprar nos EUA ainda tende a ser vantajoso. Isso ocorre porque muitos produtos vendidos no Brasil são importados e sofrem impacto do câmbio, além dos impostos.

“Assim, os preços nos Estados Unidos continuam mais competitivos”, explica Harary. Ou seja, a diferença de preço se mantém, ainda que em níveis diferentes.

Gastos no exterior

O efeito do câmbio mais baixo já aparece nos números. Em 2025, brasileiros gastaram cerca de US$ 15,7 bilhões em viagens internacionais pessoais, dentro de um total de viagens que supera a casa dos US$ 20 bilhões. Trata-se do maior volume em mais de uma década e deve continuar, segundo o advogado Vinícius Bicalho, especialista em direito migratório.

“Esse movimento vai além do consumo pontual e demonstra que o Brasil volta a olhar para fora. Isso envolve não só turismo, mas também decisões estruturais, como imigração e expansão de negócios”, afirma.

Mais do que o nível do dólar, a estabilidade da moeda americana é hoje um fator decisivo para a vida de muitas pessoas. Com a cotação oscilando em uma faixa mais previsível, entre R$ 4,90 e R$ 5,10, os brasileiros ganham segurança para planejar também investimentos no exterior. “Não é apenas pagar menos em produtos. É conseguir se planejar melhor. Isso reduz o risco e dá mais segurança para avançar”, explica Bicalho.

Esse cenário tem impulsionado, inclusive, o interesse por caminhos como a imigração qualificada (com vistos EB-2 NIW, EB-1A), abertura de empresas nos EUA, além de vistos voltados a executivos e empreendedores

Queda de barreira

Na prática, a diferença cambial pode ser decisiva não apenas para o consumo, como também orientando uma nova etapa da vida. Um processo migratório, por exemplo, ficava em cerca de R$ 150 mil quando o dólar estava próximo de R$ 6. Com a moeda abaixo de R$ 5, esse valor cai para cerca de R$ 120 mil. A redução pode ser suficiente para destravar decisões que estavam em espera.

“O câmbio sempre foi um divisor de águas. Em momentos como este, quem já vinha se preparando encontra uma condição mais equilibrada para avançar”, afirma Bicalho.

No fim, o dólar abaixo de R$ 5, além de impulsionar as compras, agora funciona também como parte de um movimento maior, onde o brasileiro está aprendendo a usar o câmbio como ferramenta para consumir, investir e até redesenhar o próprio futuro.

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