O governo federal prepara o lançamento do Desenrola 2.0 com a expectativa de ampliar de forma significativa o alcance da política de renegociação de dívidas, diante de um cenário de inadimplência recorde no país. Em março de 2026, 82,8 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado, segundo dados da Serasa.
A nova fase do programa surge após a primeira edição, encerrada em 2024, ter alcançado cerca de 15 milhões de pessoas e viabilizado a renegociação de R$ 53 bilhões em dívidas. Apesar do volume expressivo, o impacto foi limitado frente ao universo total de devedores, o que motivou o redesenho da iniciativa.

Desenrola 2.0 mira jovens e tenta reduzir R$ 120 bi em dívidas do Fies
Governo inclui financiamento estudantil em programa que pode renegociar até R$ 120 bilhões

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A proposta atual amplia o escopo e inclui novas ferramentas para incentivar adesão. Entre elas está a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas, desde que haja desconto mínimo de 40% sobre o valor devido. O modelo também prevê juros de até 1,99% ao mês e abatimentos que podem chegar a 90%.
Outro ponto novo é a restrição ao uso de plataformas de apostas online por um período de um ano para quem aderir ao programa. A medida busca reduzir o risco de reendividamento e aumentar a eficácia das renegociações.
O desenho do programa foi estruturado pelo Ministério da Fazenda em conjunto com instituições financeiras. A expectativa do governo é que a garantia de recebimento de parte relevante dos créditos, viabilizada por meio da participação do FGTS e de fundos garantidores, estimule a adesão dos bancos.
Além das dívidas tradicionais, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, o governo também avalia incluir o financiamento estudantil. O Fies acumula cerca de R$ 120 bilhões em débitos, com 65,1% dos contratos em atraso, o que amplia o potencial de alcance da nova fase.
A avaliação interna é que o avanço da inadimplência está ligado a fatores estruturais, como juros elevados, renda pressionada e dificuldade de acesso ao crédito. Mesmo após renegociações, parte dos consumidores volta a atrasar pagamentos, o que limita o efeito de programas pontuais.
Ao ampliar o escopo do Desenrola, o governo busca não apenas reduzir o número de negativados, mas também destravar o consumo. A expectativa é que a renegociação de dívidas libere renda das famílias e contribua para melhorar as condições de crédito na economia.
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