No momento que o endividamento das famílias bate recordes, os conteúdos sobre como cuidar do dinheiro e proteger o bolso são os que mais fazem sucesso nas redes sociais de finanças. É o que mostra a 10ª edição da pesquisa Finfluence, que acompanha os influenciadores digitais de finanças, elaborada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad).
No segundo semestre de 2025, as publicações sobre finanças pessoais concentraram a maior parte das interações nas redes, com maior atenção aos conteúdos que traduzem grandes temas econômicos e políticos para a vida cotidiana e menor interesse em publicações sobre produtos específicos.
Leia também: Anbima: Número de investidores no Brasil cresce em 5 anos e atinge 60,6 milhões
O movimento representa uma mudança em relação ao primeiro semestre do ano, quando o debate foi puxado por política e economia, num cenário marcado por tensões internacionais e pelas tarifas de importação do presidente americano Donald Trump. No segundo semestre, os influenciadores chegaram a intensificar em 9,7% a produção de conteúdos macroeconômicos mais gerais, mas o aumento não gerou o mesmo nível de interesse do público, segundo a Anbima.
O público passou a reagir mais a conteúdos que ajudam a interpretar o cenário e a traduzi-lo em decisões práticas. Temas como uso do cartão de crédito, organização de gastos, planejamento financeiro e relatos sobre renda, pressão econômica e busca por estabilidade lideraram o engajamento, com média de 5.063 interações por post. Na sequência, aparecem política brasileira, com 4.574 interações por post, e economia brasileira, com 4.089, com indicações de que o interesse sobe quando o conteúdo ajuda a contextualizar decisões.
Pressão no bolso
Em um ambiente de pressão econômica, cresce a busca por conteúdos voltados à organização do dinheiro e à tomada de decisão, avalia Amanda Brum, diretora de Marketing da Anbima. Ela cita outra pesquisa da entidade, a 9ª edição do Raio X do Investidor, que mostrou que 29% dos brasileiros ainda têm dívidas em atraso, cerca de um terço gasta mais do que ganha e 47% enfrentam alto estresse financeiro.
As pessoas estão buscando cada vez mais uma informação mais analítica que as ajude a se localizar em relação às suas finanças, ao seu dinheiro e seus investimentos, afirma Amanda. Dentro desse universo, a atenção se concentrou menos em ativos específicos, como bolsa ou papéis isentos, e mais em conteúdos que ajudam a tomar decisões e organizar a vida financeira, como gastos, renda, pressão econômica e planejamento.
“Esse é justamente um dos achados centrais do estudo: a audiência respondeu mais ao conteúdo aplicável do que à simples menção a ativos e, quando o conteúdo mostra como aquilo impacta a vida real, ele ganha mais força”, afirma.
Papel educativo
O estudo sugere ainda que há uma demanda clara por um papel mais educativo dos influenciadores, que assumiram posição de destaque como fontes de informação financeira para o grande público. O Raio X do Investidor mostra que os canais digitais passaram a ocupar lugar central nessa busca, com o YouTube sendo o mais citado, por 35% dos respondentes, seguido pelo Instagram, com 27%.
“Esse ambiente reforça que redes sociais vêm funcionando como porta de entrada para orientação financeira, o que não substitui a educação financeira formal, mas sugere que há, sim, um componente educativo relevante sendo reconhecido pela própria audiência”, conclui Amanda.
The post Com famílias endividadas, conteúdo de finanças pessoais domina redes sociais appeared first on InfoMoney.

