Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, voltou a ligar o alerta para o risco de uma piora mais forte do que o esperado no mercado de crédito, mesmo depois de o banco e outros gigantes de Wall Street terem reportado um trimestre robusto, com carteiras de empréstimos ainda saudáveis.
Falando especificamente de crédito privado, Dimon ressaltou que o fato de existirem mais de 1.000 gestoras atuando nesse mercado provavelmente significa que nem todas vão atravessar bem a próxima virada de ciclo. As declarações foram dadas nesta terça-feira, em uma conferência do Norges Bank Investment Management.

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“Algumas podem ser brilhantes, mas garanto que não são todas as 1.000”, disse. “Na minha visão, por causa disso e dos padrões de originação, e porque não temos uma recessão de crédito há muito tempo, quando ela vier vai ser pior do que as pessoas imaginam.”
“Não vai ser o fim do mundo, só vai ser pior do que o mercado espera no crédito privado”, completou. “E isso pode valer para alguns bancos também, aliás.”
O mercado de crédito privado, estimado em cerca de US$ 1,8 trilhão, vem chamando cada vez mais atenção nos últimos meses, com investidores questionando o nível de risco e a qualidade das estruturas. Dimon tem usado diferentes ocasiões para fazer alertas pontuais.
Na carta anual aos acionistas, divulgada no começo do mês, ele afirmou que o crédito privado “provavelmente não” representa um risco sistêmico — avaliação que reforçou agora. Ou seja, ele vê vulnerabilidades relevantes em alguns players e operações, mas não algo na escala de uma crise global do sistema financeiro.
Ao mesmo tempo, o JPMorgan não está saindo desse jogo. Pelo contrário: a gestora de recursos do banco vem conversando com investidores institucionais para levantar alguns bilhões de dólares para uma nova estratégia de crédito privado, que será abastecida pela originação da área de banco comercial da casa.
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