O início de 2026 trouxe uma surpresa positiva para a atividade econômica brasileira, levando o JPMorgan a revisar suas projeções de crescimento para o ano. Segundo análise do banco, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deve crescer a uma taxa anualizada de 3,6% na comparação trimestral, acima dos 2,8% estimados anteriormente, refletindo um desempenho mais robusto da indústria, do varejo e dos serviços nos primeiros meses do ano.
O banco destaca que, entre janeiro e fevereiro, a produção industrial acumulou alta de 3%, as vendas no varejo subiram 2% e o setor de serviços avançou 0,2%, com destaque para os serviços prestados às famílias. Esse conjunto de dados levou o JPMorgan a elevar a projeção de crescimento do PIB de 2026 em 0,2 ponto percentual, para 1,5% na comparação anual. Ainda assim, a instituição ressalta que essa revisão é explicada quase integralmente pelo efeito de carregamento estatístico do primeiro trimestre, e não por uma melhora estrutural do cenário ao longo do ano.
Apesar do começo mais forte, a leitura do banco é de que o fôlego da economia tende a diminuir à frente. O JPMorgan projeta desaceleração a partir do segundo trimestre, com crescimento abaixo do potencial no segundo semestre. Entre os fatores que pesam contra a atividade estão a deterioração das margens do setor corporativo, o aumento dos custos de insumos e condições financeiras mais apertadas, agravadas pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais de energia.
Esse ambiente mais desafiador também tem implicações relevantes para a política monetária. Diante de pressões inflacionárias no curto prazo e de uma atividade ainda resiliente, o JPMorgan passou a esperar uma postura mais cautelosa do Banco Central. A estimativa para o próximo movimento da Selic foi revista de um corte de 50 pontos-base para uma redução de 25 pontos-base tanto na reunião de abril quanto na de junho. Com isso, a projeção para a taxa básica ao fim de 2026 subiu de 11,75% para 12,25% ao ano.
A avaliação do banco, no entanto, é que um ritmo mais lento de cortes no curto prazo não significa uma taxa final mais alta. Pelo contrário: ao preservar a credibilidade do combate à inflação, esse caminho tornaria mais factível uma Selic terminal de 10% em 2027, mantida como cenário central da casa. A incerteza em torno desse horizonte, contudo, permanece elevada, dado o impacto ainda difícil de mensurar do cenário internacional e das respostas de política econômica no Brasil.
Do lado fiscal, o JPMorgan reforça que a política orçamentária segue como o principal fator de risco para o balanço de crescimento e inflação. Medidas do governo para mitigar os efeitos do choque do petróleo, estimular o crédito e reduzir o endividamento das famílias podem suavizar parte do impacto negativo sobre a atividade, mas também adicionam complexidade ao trabalho do Banco Central, especialmente em um ano marcado por maior sensibilidade política.
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