O dólar bateu uma importante marca psicológica na última segunda-feira (13) ao operar e fechar abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, fechando a sessão na casa dos R$ 4,99. Contudo, desde então, o câmbio registrou poucas variações, rondando entre os R$ 4,96 e os R$ 5. Nesta sexta-feira (17), o dólar comercial abriu em leve queda de 0,20%, na casa dos R$ 4,98, ainda que acelerando as perdas para R$ 4,96.
Na última quinta-feira (16), operadores ressaltaram que o mercado de câmbio apresentou liquidez reduzida pela segunda sessão consecutiva, com investidores promovendo apenas ajustes finos de posição enquanto monitoravam as negociações no Oriente Médio.
A avaliação é a de que ainda faltam gatilhos que detonem apostas em mais uma onda de apreciação do real após o dólar ter furado o piso de R$ 5,00. Houve variação positiva de 0,01% do dólar na quinta, após uma sequência de seis pregões de queda da moeda americana. A divisa recuava até a última quinta 0 37% na semana e 3,59% no mês. No ano, as perdas são de 9,04%.
De outro lado, o real segue amparado pela atratividade do carry trade – quando investidores pegam empréstimos em uma moeda com taxa de juros baixa para investir em ativos de um país com taxas de juros elevadas (como o Brasil) – dada a taxa de juros elevada, e pela melhora dos temores de troca com a valorização do petróleo.
O gestor de fundos multimercados da AZ Quest, Eduardo Aun, pondera que o ambiente externo ainda é de muita incerteza, apesar do alívio recente na aversão ao risco com o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã e postura menos belicosa do presidente dos EUA, Donald Trump.
“O real apreciou bastante e as moedas em geral já voltaram aos níveis pré-guerra. Mas não tenho confiança de que pode haver uma melhora maior no curto prazo porque estamos ainda em um ambiente de conflito” afirmou Aun, ressaltando que há dúvidas sobre como será a reabertura do Estreito de Ormuz em caso de fim da guerra.
No início desta sexta-feira, Donald Trump, presidente dos EUA, disse que um acordo para acabar com a guerra no Irã pode ser alcançado em breve, embora o momento permaneça incerto, enquanto os aliados dos EUA se reuniam na sexta-feira para discutir a reabertura da rota marítima vital do Estreito de Ormuz.
Trump afirmou que um cessar-fogo de duas semanas, que termina na próxima semana, pode ser estendido, embora ele não acredite que isso seria necessário, já que Teerã quer um acordo.
“O Brasil ainda aparece como destino favorito dos investidores. Enquanto o dólar seguir globalmente fraco, o ambiente tende a seguir favorável ao real, com um ‘carrego’ muito positivo e termos de troca favoráveis”, ressaltou o gestor.
Profissionais ouvidos pela Reuters nos últimos dias também têm pontuado que, ao ceder abaixo dos R$ 5,00, o dólar ficou com menos espaço para continuar a trajetória de queda.
“O investidor estrangeiro olha muito menos para o mercado interno. Ele está menos sensível às eleições e ao rombo fiscal, na comparação com o investidor local. Isso acaba fortalecendo o fluxo estrangeiro”, comentou Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, ao avaliar os recuos recentes da moeda norte-americana.
“Mas o dólar está muito próximo de um fundo. Nós não vemos muito mais espaço para cair, e deve ocorrer uma reversão até o fim do ano, até pelo cenário interno, de eleições”, acrescentou.
A XP Investimentos aponta que, olhando adiante, o Brasil deve seguir visto como “vencedor líquido” do atual choque do petróleo.
O aumento das receitas de exportação, sobretudo de commodities energéticas, melhora os termos de troca e fortalece as contas externas. Esse efeito reforça a dinâmica positiva da rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes. “A baixa exposição do Brasil à região em termos geopolíticos e comerciais também deve seguir favorecendo os ativos domésticos, assim como a menor percepção de risco fiscal associada aos ganhos de arrecadação decorrentes do petróleo mais caro”, avalia.
Além disso, fatores domésticos tendem a ganhar importância como determinantes da taxa de câmbio, especialmente à medida que o calendário eleitoral se aproxima. Ainda assim, a sua projeção atual de R$ 5,30 por dólar ao final do ano apresenta viés de baixa, sobretudo caso a dinâmica global favorável observada nos últimos meses se mantenha. “Em outras palavras, vemos um real mais forte ao longo de 2026, caso o ambiente observado nos últimos meses se mantenha”, avalia.
A 4intelligence também revisou as projeções e passou a incorporar um dólar mais próximo a R$ 5,00 no curto prazo e uma evolução relativamente comportada até meados do ano.
“Seguimos avaliando, no entanto, que com a aproximação do processo eleitoral a volatilidade deverá aumentar, impulsionando o dólar até um ‘pico’ no período da reta final da campanha eleitoral. Reduzimos de R$ 5,60 para R$ 5,50 o valor que projetamos para o dólar nessa ocasião”, aponta a equipe de economistas. O valor projetado pela 4intelligence para o câmbio no encerramento do ano foi revisto de R$ 5,50 para R$ 5,40 por dólar.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)
The post Dólar ficará “parado” ao redor dos R$ 5? Como o mercado vê os limites para o câmbio appeared first on InfoMoney.


