O conjunto de medidas adotado pelo governo federal para amortecer o impacto da disparada do petróleo sobre os preços dos combustíveis no Brasil criou uma nova dinâmica para o setor de óleo e gás, segundo análise da XP Research. Embora o pacote reduza a liberdade da Petrobras (PETR4) para elevar preços no mercado interno, o cenário segue favorável para a geração de caixa da estatal e de outras empresas da cadeia, impulsionado pelos preços elevados do Brent.
Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, o governo anunciou ao menos nove iniciativas para conter o repasse da alta internacional aos consumidores, incluindo subsídios diretos ao diesel para refinarias e importadores, corte de PIS/Cofins, auxílio ao GLP, redução de impostos sobre querosene de aviação e a criação de uma tarifa de 12% sobre exportações de petróleo bruto. Também foi instituída uma taxa de 50% sobre exportações de diesel, que, na prática, inviabiliza esse fluxo.
Na avaliação da XP, o efeito agregado dessas medidas é a redução do preço efetivo de paridade de importação, o que comprime os preços na bomba e impõe um teto competitivo aos reajustes da Petrobras. Atualmente, o preço de refinaria do diesel da estatal está cerca de 37% abaixo da paridade cheia de importação, diferença que cai para aproximadamente 10% quando considerados os subsídios aos importadores.
O desenho do programa, no entanto, cria uma assimetria. Enquanto importadores capturam até R$ 1,52 por litro em benefícios, a Petrobras tem acesso a cerca de R$ 1,12 por litro, além de perder o subsídio caso eleve preços. Para a XP, isso reduz drasticamente o incentivo econômico para novos reajustes e gera um custo de oportunidade estimado em US$ 5,8 bilhões por ano em fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE).
Ainda assim, a casa ressalta que o ambiente é significativamente melhor do que um cenário de petróleo a US$ 60 o barril — hipótese que prevalecia antes da escalada geopolítica. Com Brent ao redor de US$ 100, a XP estima que a Petrobras pode gerar cerca de US$ 20,7 bilhões em FCFE anualizado, mesmo mantendo preços domésticos defasados. Por isso, a corretora reforça recomendação positiva para o papel, destacando que a estatal segue como uma das principais apostas no setor.
Além da Petrobras, as grandes distribuidoras aparecem como beneficiárias indiretas do novo arranjo. Como os preços domésticos permanecem abaixo da paridade internacional, a entrada de combustíveis importados tende a ser menor, favorecendo empresas com maior exposição ao produto da estatal, como Vibra (VBBR3) e Ipiranga, do grupo Ultrapar (UGPA3). A XP avalia que esse ambiente sustenta margens e reduz a pressão competitiva no curto prazo.
Entre as produtoras independentes, a alta do petróleo segue como principal vetor positivo, mas com ressalvas. A PRIO (PRIO3) é apontada como o principal destaque, com elevada alavancagem aos preços do Brent e forte geração de caixa. Já Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) têm o potencial parcialmente limitado por políticas de hedge que reduzem o benefício da alta do petróleo e pela incidência do novo imposto de exportação.
De modo geral, a XP conclui que governo, consumidores e empresas dividem os ganhos excepcionais trazidos pelo petróleo caro. Embora o pacote de combustíveis reduza a volatilidade doméstica e limite reajustes, o setor como um todo segue capturando um excedente econômico relevante, mantendo o Brasil bem posicionado em um cenário global de energia mais cara.
| Como a guerra no Irã afetou o mercado | |||
| Ativo | Preço 27/02 | Preço 14/04 | Variação (%) |
| Petróleo WTI (US$) | 67,02 | 97,42 | 45,36% |
| Petróleo Brent (US$) | 72,48 | 92,26 | 27,29% |
| Ibovespa (pontos) | 188.787 | 198.001 | 4,88% |
| PETR4 (R$) | 39,33 | 49,78 | 26,57% |
| S&P 500 (pontos) | 6.878,88 | 6.886,24 | 0,11% |
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