O calor acima dos 40°C, a falta de chuva em parte do litoral e a ocorrência de temporais isolados marcaram outubro na Bahia. O cenário sofre influência do El Niño, fenômeno climático que deve seguir atuando no estado e em outras áreas do Nordeste até o início de 2027, segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
Para os próximos três meses, entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a previsão é de temperaturas acima da média em todas as regiões baianas. As chuvas, por sua vez, devem ficar dentro ou abaixo da média na faixa leste, no centro-sul e no oeste.
O órgão alerta que o período deve ter distribuição irregular das precipitações, com intervalos de estiagem intercalados por episódios de chuva intensa em curtos períodos.
Calor passou dos 40°C no centro-oeste
Em outubro, o calor foi especialmente forte no centro-oeste baiano. Os termômetros superaram os 40°C durante boa parte do mês e chegaram a 41,8°C em Rio do Pires.
Apesar do predomínio de temperaturas elevadas, algumas cidades registraram grandes volumes de chuva na última semana do mês. Em Ibicuí, foram acumulados 150,6 milímetros em 24 horas, no dia 27 de outubro. Em Iramaia, o volume chegou a 117,6 milímetros no dia seguinte.
O período também registrou queda de granizo em Monte Santo e vendavais que causaram prejuízos em algumas localidades, como o distrito de Gonçalo, em Caém.
O que esperar do clima na Bahia até janeiro?
De acordo com a previsão sazonal do Inema, o comportamento das chuvas varia conforme a região:
- Faixa leste, centro-sul e oeste: maior probabilidade de chuvas dentro ou abaixo da média histórica.
- Centro-norte e nordeste: regiões fora do período chuvoso.
- Temperaturas: devem permanecer acima da média em toda a Bahia.
Segundo o meteorologista e coordenador de Estudos do Clima e Projetos Especiais do Inema, Aldírio Almeida, o aquecimento do Pacífico indica uma estação chuvosa irregular, principalmente nas áreas do interior que costumam receber mais precipitação entre novembro e janeiro.
“O Pacífico aquecido continua indicando uma quadra chuvosa bastante irregular, acompanhada de temperaturas mais elevadas. Por outro lado, com a atmosfera mais aquecida, quando houver condições favoráveis à ocorrência de chuvas, como na atuação de sistemas frontais, poderão ocorrer temporais pontuais”, explicou.
O meteorologista acrescenta que a primavera ainda deve alternar períodos de estiagem e calor intenso com episódios de chuva volumosa em curtos intervalos de tempo.
Na prática, isso significa que um município pode registrar temporais enquanto cidades vizinhas permanecem sem chuva. Os episódios mais intensos também podem causar transtornos localizados.
Previsão até o fim de semana
Na terça-feira (4), o Inema emitiu um alerta de atenção para todo o litoral da Bahia, válido até as 10h de sexta-feira (6). O aviso prevê rajadas de vento de até 70 km/h, em razão da formação de um ciclone extratropical no oceano, na altura das regiões Sul e Sudeste do Brasil.
O fenômeno deve intensificar os ventos na costa baiana ao longo do período, com maior intensidade prevista para quinta-feira (5). De acordo com a Sala de Situação do Inema, as rajadas devem variar entre 50 e 70 km/h, com ventos predominantes nas direções Norte e Nordeste.
A previsão aponta maior intensidade em Salvador e no Extremo Sul do estado, embora o alerta contemple toda a faixa costeira. Os episódios podem ocorrer de forma passageira, com variações de intensidade.
Por que o El Niño influencia o clima?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A mudança interfere na circulação atmosférica e altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
Na medição divulgada pelo Inema em 21 de outubro, as águas das regiões central e leste do Pacífico Equatorial estavam entre 3°C e mais de 4°C acima da média histórica.
O levantamento usa dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e toma como referência as temperaturas registradas entre 1991 e 2020.
A intensificação do fenômeno já era acompanhada pelos meteorologistas desde meados do ano. Em julho, um levantamento dos Centros Estaduais de Meteorologia apontou 92% de probabilidade de estabelecimento do El Niño entre julho e setembro. Desde então, o fenômeno se consolidou e passou a influenciar as condições climáticas observadas no país.
O Inema informou que seguirá monitorando as temperaturas do Pacífico e também o aquecimento do Oceano Atlântico. As condições dessas águas podem interferir no comportamento das chuvas na Bahia nos últimos meses de 2026 e no início de 2027.

