Em 76 anos de Fórmula 1 (F1), nenhum campeão chegou ao título tão cedo. Neste domingo (1º), Andrea Kimi Antonelli terminou o GP do México em terceiro, atrás de Max Verstappen e Lewis Hamilton, e garantiu o Mundial de 2026 com quatro etapas de antecedência. Tinha 20 anos, 2 meses e 7 dias.
A marca anterior era de Sebastian Vettel, campeão em 2010 pela Red Bull aos 23 anos, 4 meses e 11 dias.
Antonelli também é o primeiro italiano campeão em 73 anos. Nascido em Bolonha, ele sucede Alberto Ascari, bicampeão pela Ferrari em 1952 e 1953. O outro italiano a vencer o campeonato foi Giuseppe “Nino” Farina, em 1950.
Antonelli começou a correr de kart aos sete anos e passou a competir aos oito. Venceu a Super Master Series e a WSK Champions e foi bicampeão europeu, já como piloto da Mercedes. Toto Wolff, chefe da equipe, o apoia desde os 13 anos, e ele faz parte da academia de pilotos da marca alemã desde 2019.
Nos monopostos, estreou em 2022 e venceu a F4 Italiana, com 13 vitórias em 22 corridas, e a F4 Alemã, pela Prema. Seu companheiro nas duas equipes foi o brasileiro Rafael Câmara, anunciado pela Haas para 2027. Em 2023, foi campeão da Fórmula Regional Europeia, depois de já ter vencido a Fórmula Regional do Oriente Médio.
Em 2024, a Mercedes fez uma aposta ousada e o levou direto para a Fórmula 2, sem passar pela F3. A campanha não foi de destaque, mas a confiança da equipe se manteve.
"Pé atrás" com a idade
Anunciado como substituto de Hamilton em agosto de 2024, aos 18 anos, Antonelli enfrentou dúvidas de fãs e especialistas. Muitos defendiam que ele começasse “emprestado” à Williams, que tinha vaga para 2025. Na véspera do anúncio, bateu no primeiro treino livre do GP da Itália, em Monza, depois de apenas 11 minutos na pista. O acidente veio logo após ele marcar uma das melhores voltas da sessão, e a Mercedes manteve a decisão.
A estreia foi difícil, com o sétimo lugar no campeonato, 150 pontos e três pódios. Segundo Wolff, o ano ocorreu como o previsto. O dirigente disse que o jovem foi “lançado de paraquedas” aos 18 anos, num regulamento maduro, e que todos lhe diziam que era cedo demais. Ele admitiu que a avaliação só viria após o segundo ano e que o começo de 2026 surpreendeu a todos, inclusive a ele.
Com a mudança de regulamento, a Mercedes construiu o melhor carro de 2026, e George Russell, ex-integrante da mesma academia, era o principal nome para o título. Russell venceu a abertura, na Austrália, mas Antonelli ganhou na China e chegou a cinco vitórias seguidas, até Mônaco. Em 19 etapas, somou nove vitórias, 16 pódios e sete poles.
Recordes e marcos em 2026
- Assumiu a liderança no GP do Japão e não saiu mais dela, tornando-se o líder mais jovem da história.
- É o mais novo a vencer três corridas seguidas e o mais precoce a conquistar uma pole.
- Em Monza, virou o mais jovem vencedor do GP da Itália, largando em 19º, e foi o primeiro italiano a vencer em casa em 60 anos.
- Ganhou a primeira corrida no novo circuito de Madring, na Espanha.
- É o quinto campeão com menos de 25 anos, ao lado de Vettel, Hamilton, Verstappen e Alonso.
- Seu título tem a terceira maior antecedência da história, empatado com Vettel (2011) e Verstappen (2022). Só Mansell (1992) e Schumacher (2002) venceram mais cedo.
O 12 de Senna
Antonelli diz ter Ayrton Senna como ídolo, apesar de ter nascido 12 anos depois da morte do brasileiro, e escolheu o número 12, usado pelo tricampeão em parte da carreira. Em 2025, visitou o túmulo de Senna em São Paulo e doou à família o capacete que usou em Interlagos. A expectativa é que ele volte a homenagear o ídolo agora como campeão, com um capacete alusivo.
A F1 volta ao Brasil na próxima etapa, em Interlagos, e Antonelli chega como campeão mundial.
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