Os influenciadores Samuel Sant'Anna da Costa, conhecido como Gato Preto, e Anna Beatryz Ferracini Ribeiro, a Bia Miranda, foram condenados pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 211.335,99 em indenizações a duas vítimas de um acidente de trânsito ocorrido em agosto de 2025, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste da capital. A sentença foi proferida em 16 de setembro pelo juiz Gustavo Coube de Carvalho, da 5ª Vara Cível.
O acidente aconteceu em 20 de agosto de 2025. Gato Preto dirigia um Porsche e avançou o sinal vermelho, atingindo um Hyundai HB20 ocupado por um homem e pelo filho dele, Ivan. Segundo o juiz, o influenciador não contestou ter furado o sinal nem ter provocado a colisão.
a bia miranda sofreu um acidente de carro e saiu simplesmente gravando stories como se nao tivesse quase morrido https://t.co/NP2J8aX4rM
— lucas ⭐️ (@iamlukkinhas) August 20, 2025
Um exame toxicológico feito após a batida detectou álcool etílico, MDA e THC na urina do influenciador.
Pela gravidade do caso, a maior parte do valor ficou com o condutor. Gato Preto terá de pagar R$ 160 mil por danos morais: R$ 100 mil a Ivan e R$ 60 mil ao pai. Também deverá ressarcir o jovem em R$ 1.335,99 pelos danos a um aparelho celular. As informações são do Uol.
Ivan sofreu fratura na mandíbula, teve dificuldade para abrir a boca, precisou manter dieta líquida e pastosa e fez acompanhamento médico por três meses. O juiz também considerou o agravamento de um quadro de ansiedade que o jovem já apresentava. O pai, por sua vez, presenciou o filho ferido e preso pelo airbag e, segundo a sentença, foi ameaçado pelo influenciador no local.
Gato Preto é preso após acidente envolvendo Porsche https://t.co/JK6nebSOAu
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Bia Miranda responde por conduta após o acidente
Bia Miranda estava no banco do passageiro e, conforme destacou o magistrado, não tem responsabilidade pela batida. Ela foi condenada a pagar R$ 50 mil por danos morais pela conduta adotada depois do acidente.
De acordo com a decisão, Bia gravou o local da colisão enquanto o jovem era socorrido e publicou as imagens para milhões de seguidores. Nas postagens, chamou a vítima de "senhorzinho" e classificou o carro destruído como "lixo".
A defesa alegou que a influenciadora apenas pretendia informar os seguidores sobre o próprio estado de saúde, argumento rejeitado pelo juiz. "Quem responde publicamente à divulgação da própria desgraça defende a imagem, não consente com a ofensa", escreveu o magistrado.
Pedidos negados
A sentença rejeitou outros pedidos das vítimas. O juiz negou indenização adicional pelo carro destruído, já que a seguradora havia pago R$ 50.411,91. Também negou o pedido para que os influenciadores publicassem retratação nas redes, por entender que obrigá-los a divulgar uma mensagem definida pela Justiça seria impor uma manifestação de pensamento.
Eventuais indenizações recebidas pelas vítimas na ação criminal deverão ser descontadas dos valores fixados na esfera cível.
Decisão ainda cabe recurso
A sentença cível não é definitiva. O andamento processual registra embargos de declaração apresentados em 25 de setembro e apelação em 30 de setembro.
Na esfera criminal, o caso segue em separado: Gato Preto é réu por tentativa de homicídio com dolo eventual, quando o acusado assume o risco de provocar a morte.
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