Presa no Rio de Janeiro após ser condenada por torturar o ex-marido, Verônica Costa, conhecida nacionalmente como a Mãe Loira do Funk, recebeu o apoio público da filha, Jeniffer Costa, que usou as redes sociais para rebater as acusações contra a mãe e criticar a repercussão do caso.
Em uma postagem no Instagram, Jeniffer afirmou que, na sua visão, "o abusador virou a vítima" e insistiu que a mãe "não é uma bandida". Segundo ela, Verônica agiu para se proteger de anos de violência: "A minha mãe é o símbolo da resistência das mulheres. Era ela ou era ele. A minha mãe poderia estar morta, eu poderia estar fazendo esse vídeo chorando ou no enterro da minha mãe."
A jovem aproveitou o desabafo para fazer um apelo mais amplo às mulheres que vivem situações semelhantes: "E eu quero falar isso para todas vocês, mulheres: resistam. Resistam. Toda hora tem uma mulher morrendo, toda hora tem um pai e uma mãe chorando, tem um filho chorando."
Jeniffer também relembrou episódios de violência que, segundo seu relato, a mãe teria sofrido ao longo do casamento, incluindo alertas feitos pela avó: "A minha avó falou várias vezes: 'Não fica com esse homem, minha filha'. A minha mãe estava literalmente apanhando, ele tinha apontado uma arma para a minha mãe, ele tentou tirar a vida da minha mãe. A minha mãe foi atrás da polícia por ajuda."
Ela ainda agradeceu o apoio da família neste momento: "Eu quero agradecer todos os familiares que estão com a minha mãe nesse processo. A minha tia, o meu tio, o meu outro tio. Sabe por quê, gente? Porque a gente precisa da nossa família para nos defender, quando as coisas estão ruins, quando você está sofrendo e você não sabe, quando você está correndo risco de morte."
Na sequência, Jeniffer fez uma série de acusações contra o ex-padrasto, Márcio Costa, relacionadas ao período em que ele era casado com Verônica: "Ele dava muito remédio para a minha mãe dormir à noite. Ela tinha, muitas vezes, falta no trabalho. Ela não conseguia levantar, só ficava deitada por muitos anos, todos os anos que a minha mãe ficou casada com ele. Esse homem nunca deixava a minha mãe ficar sozinha."
O que diz a Justiça
Em audiência de custódia realizada na tarde deste sábado (26), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) manteve a prisão de Verônica Costa, que já foi vereadora na capital fluminense. Ela foi presa na quinta-feira (24), após ser condenada a 10 anos e 8 meses de prisão pelo crime de tortura contra o ex-marido, Márcio Costa. O caso remonta a 2011 e teria ocorrido em uma residência na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Verônica Chaves de Carvalho Costa nasceu em 1974, no Rio de Janeiro. Cresceu em uma comunidade da Zona Norte, perto do Morro do Juramento. Aos 16 anos, conheceu o empresário Rômulo Costa, com quem teve dois filhos, Jonathan e Jennifer. O casal se separou em 2001.
Ela ganhou projeção ao apresentar programas e bailes da Furacão 2000, tradicional holding do funk carioca. Por defender as demandas do público do gênero e atuar por sua valorização, ganhou o apelido de "Mãe Loira do Funk". Depois de deixar a Furacão, fundou o selo Glamourosa. Mais tarde, casou-se com Márcio Costa.
Em fevereiro de 2011, Márcio procurou a delegacia e acusou Verônica, então sua mulher, e quatro parentes dela de agredi-lo por mais de 20 horas na casa do casal, no Recreio dos Bandeirantes.
Segundo a investigação, o irmão, a irmã, o cunhado e o padrasto da parlamentar, por ordem dela, o amarraram no banheiro. Márcio contou que teve pulsos e pés presos com correntes e corda, que jogaram um produto químico em seu corpo e que ameaçaram atear fogo.
Em primeira instância, Verônica recebeu pena de cinco anos e dez meses. O Ministério Público recorreu, e a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça elevou a pena, por unanimidade, para dez anos e oito meses. Ao longo de todo o processo, a ex-vereadora negou ter torturado o ex-marido. Na noite desta quinta-feira (24), Verônica foi presa em Petrópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro.
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