Chegou ao fim uma disputa judicial que envolvia a dupla sertaneja Jorge & Mateus e os profissionais Nathalia Magalhães da Silva e Pedro Henrik Meira da Silva. O caso ganhou repercussão nacional pelos detalhes de uma noite de trabalho que terminou em ocorrência policial.
De acordo com o jornalista Alessandro Lo-Bianco, do iG, Nathalia e Pedro foram contratados para atender a dupla durante a Festa do Peão de Americana. Eles chegaram ao evento por volta das 20h02, mas só conseguiram entrar no camarim às 22h35. Pouco depois, foram retirados do espaço sob a justificativa de que os cantores precisariam se trocar, e acabaram esperando cerca de quatro horas em um corredor de serviço, sem água ou alimentação. Quando o show começou, às 2h28, os profissionais perceberam que não seriam mais chamados para o trabalho contratado.
Ainda segundo o relato apurado pelo colunista, ao retornarem ao camarim para buscar seus pertences, os profissionais encontraram maquiagens e equipamentos revirados, com sinais de uso. Um integrante da equipe teria informado que a esposa de Jorge fez a maquiagem dos dois cantores utilizando os produtos deixados por Nathalia e Pedro, sem que eles fossem chamados para o serviço.
Agressão e cárcere privado
A situação se agravou quando Nathalia passou a questionar o ocorrido e começou a filmar os próprios materiais. Segundo a acusação, o produtor Willian Pereira Clemente teria atingido o punho da maquiadora com um soco e arrancado o celular de suas mãos, interrompendo a gravação. Ela também afirmou ter sido trancada no camarim e impedida de sair, até a chegada da Polícia Militar. No dia seguinte, Nathalia passou por exame de corpo de delito, que constatou lesão corporal.
Na ação, os profissionais pediram indenização de R$ 150 mil para Nathalia e R$ 50 mil para Pedro. A defesa de Willian e da dupla negou o tratamento degradante e a agressão, sustentando que Jorge e Mateus não tiveram contato direto com os profissionais e atribuindo o conflito à equipe.
Ainda assim, conforme aponta Lo-Bianco, a Justiça reconheceu a ocorrência de tratamento degradante, o uso indevido dos materiais profissionais e a agressão física, esta última comprovada por laudo pericial. Segundo o comunicado dos advogados das vítimas, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve o reconhecimento dos fatos e a responsabilidade solidária dos réus, fazendo apenas um ajuste no valor da reparação. A decisão não afirma que os cantores participaram diretamente da agressão, mas reconhece que tinham ciência da contratação e da presença dos profissionais no local, respondendo, portanto, solidariamente pelos atos da equipe.
Valor da condenação
Com o trânsito em julgado, a condenação ficou definitivamente estabelecida. Em valores atualizados, a dupla deverá pagar cerca de R$ 50 mil. Fernando Figueiredo, advogado dos profissionais, declarou que "o desfecho confirma que a história foi analisada ao longo de todas as instâncias sob contraditório e ampla defesa, com vídeos, documentos, testemunhas e laudo pericial." O escritório afirmou esperar que a decisão tenha efeito pedagógico sobre a forma como profissionais contratados para trabalhar nos bastidores de grandes eventos são tratados.
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