As ruas de Salvador têm sido palco de protestos e atrasos no transporte público neste início de maio. O motivo é a campanha salarial de 2026 liderada pelo Sindicato dos Rodoviários, que busca avanços significativos em benefícios e condições de trabalho. Entre as frentes de batalha da categoria, destacam-se o pedido de aumento salarial real e a redução da carga horária diária.
As conversas com os empresários do setor tiveram início ainda em março, mas o diálogo parece ter estacionado. Até o momento, quatro rodadas de negociação foram realizadas sem que um consenso fosse atingido. Segundo Daniel Mota, diretor de comunicação do sindicato, o impasse persiste porque as empresas ainda não apresentaram propostas satisfatórias. "Não há contrapartida oferecida e, por isso, a categoria segue em negociação", afirmou em entrevista ao g1.
A insatisfação dos trabalhadores tem se traduzido em ações práticas que afetam a rotina da capital baiana. Nesta quinta-feira (7), assembleias realizadas em quatro garagens diferentes atrasaram a saída de parte da frota até as 8h. O movimento é um desdobramento de outras ações recentes, como a operação "Todos os ônibus na faixa da direita", que causou lentidão no trânsito na última terça-feira (5).
A pauta de reivindicações da categoria é extensa e foca no poder de compra e na qualidade de vida. Os rodoviários exigem um reajuste salarial de 5% acima da inflação do período, além de um aumento diferenciado no vale-refeição, garantindo 30 tickets mensais. Outro ponto crucial é a revisão das cartas horárias, buscando uma organização mais justa das escalas de trabalho.
No entanto, o ponto mais sensível da negociação é a tentativa de reduzir a jornada de trabalho para 6 horas. Do lado patronal, a resistência é clara. Jorge Castro, diretor da Integra - concessionária que gere o sistema -, foi enfático ao declarar ao g1 que "não há negociação com relação à redução da jornada de trabalho". Ele reiterou que a empresa aguarda novos encontros apenas para discutir os demais itens da lista.
Enquanto o braço de ferro continua, a população sente os reflexos da falta de acordo. Somente na última semana, três grandes mobilizações foram registradas. Na quinta-feira anterior (30), além do atraso nas garagens, cerca de 30% dos veículos deixaram de circular temporariamente. A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) foi procurada para comentar o cenário e as possíveis mediações da prefeitura, mas ainda não se manifestou oficialmente.

