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Enem: veja melhor maneira de conferir o gabarito e evitar erros na correção

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Enem: veja melhor maneira de conferir o gabarito e evitar erros na correção

A checagem do gabarito do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deve ser um momento de muita calma e atenção para os candidatos.

Para evitar que os cálculos sejam feitos de forma errada, é necessário que os estudantes tomem medidas cuidadosas desde o momento de marcar o cartão-resposta até a conferência do gabarito oficial do exame.

A CNN Brasil entrevistou educadores especializados em Enem para entender qual é a melhor forma de conferir o gabarito sem cometer erros.

De acordo com Gabriella Jardim, professora de Redação da Escola Eleva, a nota do Enem não é calculada pela quantidade de respostas corretas, mas pela média de acertos por questão dos candidatos.

Esse sistema se chama TRI (Teoria de Resposta ao Item), que também reconhece o conhecimento acadêmico de cada vestibulando, atribuindo maior pontuação ao aluno que acerta questões fáceis e médias do que ao aluno que acerta as difíceis, porém erra as demais. “Por essa razão, o resultado é um número decimal”, afirma ela.

Ana Paula Werka Rossa, diretora de Crescimento e Experiência na Trivento Educação, orienta que o aluno fique atento à cor do caderno em que a prova foi realizada.

“Para essa conferência, o ideal é aguardar a publicação do gabarito oficial, mas os gabaritos divulgados por cursinhos e plataformas podem ajudar na primeira análise. Por isso, minha recomendação é sempre se utilizar de fontes confiáveis e fazer a dupla checagem quando o documento oficial for publicado”, declara a educadora.

Para Leonardo Monteiro, gerente sênior de educação da Fundação Bradesco, a conferência começa ainda durante a prova, e o primeiro cuidado é com o tempo.

O profissional orienta que o estudante reserve pelo menos 20 minutos no fim para transcrever as respostas para o cartão-resposta com calma. Apesar de cada um ter seu próprio método, é um grande erro deixar a transcrição das respostas para os minutos finais, “com a mão tremendo e o fiscal anunciando o fim da prova”.

“É nessa hora que alguém marca a resposta da questão 46 na linha da 47 e desalinha um bloco inteiro. Para conferir depois, é preciso guardar as respostas. Vale anotá-las no próprio caderno de questões, que o candidato só pode levar para casa se sair nos últimos 30 minutos de prova. Quem sai antes perde esse registro”, avalia.

Em casa, há três cuidados importantes: o primeiro é checar a cor do caderno e do gabarito; o segundo é checar o idioma escolhido pelo candidato; já o terceiro é entender que as correções dos cursinhos ajudam, mas não são o gabarito oficial do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Importância da TRI

Os professores consultados alertam para as mudanças na pontuação de cada candidato devido à TRI. Gabriella Jardim afirma que esse sistema reconhece o conhecimento acadêmico de cada vestibulando, por isso é recomendável que a checagem do gabarito seja feita apenas após a realização dos dois dias de prova.

“A melhor forma de não ser afetado pelo resultado do primeiro dia é conferir o gabarito apenas depois de realizar o segundo dia. Justamente por funcionar o sistema da TRI no cálculo da nota, não é a quantidade de acertos ou erros que necessariamente definirá uma nota alta ou baixa”, sugere ela.

A lógica da TRI não considera apenas a quantidade de acertos, mas a coerência das respostas. É por isso que o candidato tem que ter em mente que as questões mais complexas devem ser deixadas para o final, “por ser o momento de maior cansaço e de possível desatenção”.

Ana Paula Werka Rossa, por sua vez, destaca que fazer a soma de acertos permite que o estudante tenha uma referência inicial de seu desempenho, mas não permite determinar a nota final.

“A contagem de acertos deve ser uma referência e dar direcionamento, sem a ansiedade de realizar uma previsão de nota”, avalia.

Leonardo Monteiro explica que a TRI tem características próprias que são definidas estatisticamente. Uma delas é a dificuldade. Outra é a capacidade de diferenciar quem domina o conteúdo de quem não domina. A terceira é a chance de alguém acertar no chute.

Ele exemplifica: “Imagine dois estudantes que acertaram 30 questões de Matemática. O primeiro acertou as fáceis, boa parte das médias e algumas difíceis, um desempenho que segue uma lógica de aprendizagem. O segundo errou várias questões simples e acertou muitas das mais complexas. O sistema entende que parte desses acertos difíceis provavelmente veio do chute, e a nota dele tende a ser menor. O número de acertos é igual, mas as notas são diferentes”.

O profissional reforça, porém, que o chute deve ser o último recurso, não a estratégia principal. Por isso, é importante não deixar as questões fáceis para trás, imprimindo maior prioridade a questões difíceis e resolvendo as alternativas mais simples no final do exame, quando a mente já está cansada.

Como lidar com a ansiedade?

Conferir o gabarito do Enem pode causar grande ansiedade justamente por não dar certeza de qual será a nota final.

Lidar com essas sensações, no entanto, não pode atrapalhar o candidato de realizar o segundo dia de prova ou outros vestibulares até que o resultado oficial seja divulgado.

“O Enem é um dos momentos mais importantes na trajetória dos estudantes, e a ansiedade não pode ser um obstáculo para o desempenho. Minha recomendação é que essa conferência não seja uma prioridade pós-prova e que ela seja feita de forma organizada, concentrada e descansada”, orienta Ana Paula Werka Rossa.

A educadora aponta que o primeiro dia exige um desgaste emocional e mental e, depois de meses de preparação, o estudante precisa lembrar que descanso também faz parte da estratégia.

“Mas, se a ansiedade for maior, faça de forma breve, sem ficar horas discutindo desempenho ou tentando antecipar um resultado sem precisão”, afirma.

Ana Paula ainda destaca que, além do Enem, existem várias possibilidades de acesso ao ensino superior. “A conferência do gabarito é uma referência e não um motivo para antecipar frustrações, ansiedades ou vitórias”, reforça.

Para Leonardo Monteiro, a conferência não deve ser usada como combustível. “O candidato precisa se conhecer. Se uma questão errada vai tirar o seu sono durante a semana, talvez seja melhor esperar”, afirma.

O gerente de educação sugere que o aluno não se pergunte “quantas eu errei?”, mas questione “por que eu errei?”, para entender se houve falta de conteúdo, falta de tempo, interpretação apressada do enunciado ou cansaço nas últimas questões.

“Entender o erro como oportunidade de aprendizagem é parte essencial da construção do conhecimento. Um erro bem analisado ensina mais do que um acerto no chute”, conclui.

Prepare-se para o Enem com a CNN Brasil

Está disponível no portal da CNN Brasil o Simulador do Enem, ferramenta que reúne mais de 3 mil questões oficiais, aplicadas entre 2009 e 2025, para treino individual, com possibilidade de compartilhamento dos resultados.

Gabarito interativo extraoficial do Enem

Após a aplicação das provas nos dias 8 e 15 de novembro, a CNN Brasil contará com o gabarito extraoficial do Enem disponível no site, recurso disponibilizado com apoio do SAS Educação.

CNN Brasil transmite live com correção da prova em tempo real

Você ainda pode acompanhar na CNN Brasil a correção extraoficial ao vivo nos dois dias de exame. A live será transmitida no canal do YouTube neste domingo (8) a partir das 20h. Professores do Objetivo estarão em nossos estúdios para a resolução das questões, análises e comentários.

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