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Fadiga da decisão: por que fazer pequenas escolhas pode ser desgastante?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Fadiga da decisão: por que fazer pequenas escolhas pode ser desgastante?

Decidir qual roupa usar no dia, o prato de um cardápio ou definir qual filme vai assistir no fim de semana para relaxar pode ser muito desgastante.

Muitas vezes, pequenas decisões podem demandar uma grande energia mental, fazendo com que uma atividade rotineira cobre um preço alto de nossa capacidade psicológica.

Esse fenômeno tem um nome: fadiga da decisão.

De acordo com Jorlane da Silva Reis, professora de Psicologia da Unicid, a psicologia e a neurociência explicam que nosso cérebro não foi projetado para tomar milhares de decisões por dia.

“Cada escolha, por menor que seja (o que vestir, o que postar no Instagram, qual rota pegar no trânsito), consome uma carga cognitiva”, afirma.

A profissional aponta que, na TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), entende-se que o cérebro ativa uma espécie de “piloto automático” para sobreviver. No entanto, ele não avalia as tarefas com o mesmo cuidado.

“O resultado é que a pessoa se sente exausta, irritada e, muitas vezes, toma decisões impulsivas ou simplesmente trava e não decide nada. É o cérebro pedindo socorro”, explica a profissional.

Esse cansaço mental pode ser percebido por pessoas que possuem muitas funções ao longo do dia, como a rotina de ser mãe, professora e psicóloga.

“De manhã, eu já tenho que decidir o café dos meninos, o trajeto com menor trânsito, o material da aula. Quando chego à noite, se alguém me perguntar ‘o que você quer jantar?’, a minha resposta pode ser ‘qualquer coisa’ ou eu posso simplesmente não comer nada e priorizar dormir. Não é porque a pergunta é difícil, mas porque a minha ‘bateria de decisão’ já foi drenada no decorrer do dia”, exemplifica.

Como o cérebro processa decisões?

O cérebro processa grandes escolhas e pequenas decisões de formas distintas. As grandes escolhas, como casamento, carreira e mudança de cidade, são processadas pelo que a neurociência explica como Sistema 2, que é lento, analítico, baseado em evidências e no planejamento.

Já as pequenas decisões são processadas pelo Sistema 1, que é rápido, intuitivo, automático e trabalha com atalhos mentais, chamados de heurísticas.

O problema é que o Sistema 2 exige muito mais energia e tempo. “Quando a pessoa está cansada, ela tenta usar o Sistema 1 para resolver grandes escolhas, e isso gera erros e ansiedade. A TCC ensina o paciente a identificar quando ele está usando o ‘modo automático’ para resolver questões que exigem pausa e análise”, afirma Jorlane.

Como esses sinais de fadiga da decisão aparecem?

Os sinais de fadiga da decisão se manifestam em três níveis:

  • nível emocional: há a paralisia por análise, em que a pessoa analisa demais e não decide nada, ou sente dificuldade de concentração e esquecimento frequente;
  • nível comportamental: parecem hábitos de procrastinação, isolamento, respostas monossilábicas (“tanto faz”, “decide você”) e até mudanças no apetite ou no sono;
  • nível cognitivo: há a paralisia por análise, em que a pessoa analisa demais e não decide nada, ou sente dificuldade de concentração e esquecimento frequente.

A psicologia sugere que a pessoa pare de tentar dar conta de tudo e faça uma pausa para reavaliar a rotina, a fim de diminuir essa crise interna que existe.

“Eu percebo a fadiga de decisão em situações como quando a ideia de escolher o que vestir para trabalhar parece um fardo gigante, ou quando eu abro a Netflix e passo 20 minutos navegando sem escolher nada. Se eu identificar isso, já sei que o meu cérebro está pedindo pausa”, explica Jorlane.

Como reduzir o sofrimento na hora de tomar decisões?

Existem três estratégias simples que podem reduzir a sensação de agonia antes de tomar uma decisão.

A primeira é a automação de baixo risco: crie rotinas para o que não precisa de análise — como deixar a roupa separada na noite anterior, ter um cardápio semanal fixo, ou definir horários fixos para checar mensagens.

A segunda é a regra do bom o bastante: não busque a opção perfeita, busque a opção que resolve o problema agora.

A terceira é o bloqueio de decisões: estabeleça janelas específicas no dia para tomar decisões importantes e não decida nada quando estiver com fome, cansada ou com raiva.

A fadiga de decisão não é um defeito de caráter, apenas uma questão de gestão de recursos biológicos, que são treináveis, segundo aponta a psicóloga Jorlane Reis.

“Parece complexo refletir sobre isso, mas a boa notícia é que o cérebro é plástico. Quando criamos rotinas e reduzimos o número de decisões triviais, estamos literalmente treinando o cérebro para gastar menos energia”, declara a profissional.

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