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Lázaro Ramos vive papel que foge do vilão em “Feito Pipa”: “Próximo de nós”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Lázaro Ramos vive papel que foge do vilão em “Feito Pipa”: “Próximo de nós”

Em “Feito Pipa“, longa que chegou aos cinemas nesta semana, Lázaro Ramos assume o papel de Batista, o pai do pequeno Gugu (Yuri Gomes), que se posiciona como um antagonista na trajetória da criança e de sua avó, Dilma (Teca Pereira).

Na trama, o progenitor é homofóbico com o filho, que gosta de se aventurar em elementos que são comumente considerados femininos, com maquiagens, roupas, saltos e mais. Justamente por não ser aceito pelo pai, Gugu tenta sozinho lidar com os sintomas de Alzheimer que a avó apresenta.

O personagem de Lázaro traz consigo uma complexidade: ao mesmo tempo em que possui atitudes homofóbicas e machistas, demonstra uma forma diferente de cuidado e afeto com o filho. Em entrevista à CNN Brasil, o ator explica que o objetivo foi representar Batista de uma forma com que o público se conectasse.

“Quando li [o roteiro], a primeira coisa que eu queria fazer era um vilão. Dar muito grito, fazer cara fechada”, explico veterano do cinema. “Mas, quando a gente começou a ensaiar, vi que era mais útil contar esse personagem mais próximo de nós. Eu sou um ator de tintas fortes, mas faço ele em uma simplicidade. Porque eu acho que, quando a gente vê esse Batista, duro, rígido, mas que tem impossibilidade de aceitar o filho do jeito que é, a gente se vê nele.”

Lázaro ressalta que, ao trazer um personagem de constrastes, ele consegue fazer os espectadores se questionarem e refletirem, diferente de um tradicional vilão de filme, que costuma gerar um sentimento de aversão no público.

“A gente se pergunta: ‘será que em algum momento eu fiz alguma coisa parecida? Será que eu fui violento em algum momento? Será que, em algum momento, eu não aceitei a pessoa do jeito que ela era e tentei impedir isso?'”, questiona o ator.

Mesmo trazendo um vilão mais “brando”, Lázaro e o novato Yuri Gomes protagonizam algumas cenas duras que apertam o coração do espectador. Sobre esses momentos difíceis, o veterano revelou que fez um acordo com o ator mirim por trás das câmeras.

“A gente tinha um combinado de que estamos fazendo um filme e contando uma história, então íamos brincar de brigar um pouquinho. Quando acabasse, a gente voltaria para a vida real, lancharia juntos, sairia… Isso foi muito legal”, explica Lázaro, que ganhou a alcunha de “Tio Lázaro” do colega de elenco.

O ator reflete, ainda, que é necessário muito cuidado ao trabalhar com atores mirins e ressalta o trabalho da preparadora de elenco, Luciana Vieira. “Quando você trabalha com criança, ainda mais num filme como esse, tão sensível, você corre o risco de machucar a criança. E lá não rolava isso. A Luciana fazia um trabalho lindo, que era, às vezes mostrar para o Yuri: ‘Olha só como ficou esse close’. Então, ele entendia tecnicamente e sabia que estávamos contando uma história.”

“Feito Pipa” está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Assista ao trailer de “Feito Pipa”:

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