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Entenda lesão de Rodrigo Garro, do Corinthians, que pode tirar meia do Brasileirão

Radar Olhar Aguçado(há 33 minutos)

O meio-campista Rodrigo Garro, camisa 8 do Corinthians, sofreu uma lesão no joelho direito durante o clássico contra o São Paulo, na Vila Belmiro, na última quarta-feira (4). O argentino saiu de campo após sofrer um trauma seguido de entorse ao pisar no campo.

Após exames de ressonância magnética realizados no dia seguinte, o Corinthians confirmou um estiramento no ligamento colateral medial (LCM) do atleta. O jogador iniciou o processo de recuperação sob supervisão do departamento médico, que não divulgou ainda um retorno aos gramados. 

O que é o LCM e como ele funciona?

O LCM é uma das estruturas vitais localizadas na região interna do joelho, ligando fêmur à tíbia. Segundo o médico Bruno Canizares, ortopedista e traumatologista do esporte, a principal responsabilidade é garantir estabilidade da articulação durante movimentos de impacto e rotação.

Ao contrário de lesões em outros ligamentos do joelho, como o cruzado anterior (LCA), o LCM apresenta uma fisiologia mais favorável para a recuperação sem necessidade de cirurgia.

“Uma característica muito importante é que ele tem uma capacidade de cicatrização bem favorável, principalmente quando comparada aos ligamentos cruzados. Por isso, grande parte das lesões isoladas pode ser tratada conservadoramente, sem precisar de cirurgia”, destaca Canizares.

Mecanismo do trauma e o gramado da Vila

O Corinthians informou em nota oficial que o camisa 8 sofreu um “trauma seguido de entorse”. O tipo de mecânica ocorre quando forças externas ou rotações repentinas superam a resistência das fibras ligamentares. 

“O mecanismo clássico da lesão do colateral medial vai ser quando uma força provoca um movimento excessivo em valgo [para dentro]. Isso acontece durante uma dividida, geralmente quando há um impacto na região de fora do joelho, mas também pode ocorrer sem contato direto, em uma mudança muito rápida de direção e movimento de rotação com o pé apoiado no chão”, analisa o médico.

O especialista ainda reforça que a fixação da chuteira na superfície pode aumentar a força transmitida à articulação, mas pondera sobre a culpabilização direta do gramado. 

“O posicionamento do pé é particularmente importante nesses casos, porque quando a chuteira fica fixa no gramado e o corpo gira, parte dessa força é transmitida diretamente para o joelho. No entanto, não podemos falar que o gramado tem a responsabilidade pela contusão sem avaliar bem o lance e as condições da superfície. Na maioria das vezes, resulta de uma combinação de fatores, incluindo o posicionamento do membro, a velocidade do movimento e a força de contato”, diz Canizares.

Garro volta a jogar o Brasileirão?

As lesões do LCM são classificadas na medicina esportiva em três graus de comprometimento tecidual, segundo análise do especilaista.

  • Grau 1 (Leve): Acontece um estiramento discreto com pequenas rupturas microscópicas de fibras O atleta apresenta dor localizada na região interna, com recuperação média entre 1 e 3 semanas;
  • Grau 2 (Moderado): Ocorre a ruptura parcial das fibras ligamentares, acompanhada de dor mais intensa e leve frouxidão articular. O retorno ao futebol costuma exigir entre 3 a 6 semanas.
  • Grau 3 (Grave): Ocorre a ruptura completa do ligamento, com comprometimento importante da estabilidade medial. A reabilitação leva de 6 a 12 semanas ou mais.

Sobre as chances de Rodrigo Garro voltar a atuar nas rodadas finais do Brasileirão, que encerra no início de dezembro, cerca de quatro semanas após a lesão, Cazinares analisa os cenários:

“No caso do Garro, o Corinthians confirmou pela ressonância que foi um estiramento do ligamento colateral medial, mas não divulgou oficialmente o grau da lesão. Considerando que o campeonato termina em aproximadamente quatro semanas, se estivermos diante de uma lesão grau 1, há uma possibilidade concreta de ele voltar ainda durante o campeonato. Numa lesão grau 2, a chance já é mais restrita e vai depender da evolução clínica e funcional dele. Se for grau 3, seria bem improvável ele voltar nas últimas rodadas”.

Retorno seguro

Com o Corinthians na 18º posição do campeonato, o desejo por um retorno rápido enfrenta o limite fisiológico do tecido muscular e ligamentar. O ortopedista ressalta que o departamento médico não se baseia apenas na contagem de dias.

Além disso, o especialista adverte contra a tentativa de acelerar o processo sem respeitar a resposta biológica do organismo.

“Controlar a dor não significa que o ligamento esteja totalmente cicatrizado. Adotar medidas apenas para mascarar sintomas e antecipar o retorno expõe o atleta a riscos desnecessários. O grande desafio da medicina esportiva não é simplesmente fazer o jogador voltar o mais rápido possível, mas garantir que ele retorne ao nível de desempenho anterior sem comprometer a estabilidade do joelho e sua carreira a longo prazo”, conclui o médico.

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