O Brasil ocupa uma posição de desvantagem na corrida global pela inteligência artificial, mas ainda tem condições de acelerar e recuperar terreno perdido. Essa é a avaliação de Eduardo Farhat, head da La Caisse no Brasil e na América Latina, que participou de entrevista no programa Café com Investidor.
O especialista discutiu o cenário do país frente às transformações tecnológicas e econômicas em curso no mundo.
Brasil na corrida pela IA
Segundo Farhat, o tema da inteligência artificial é tratado com muito mais intensidade fora do Brasil do que dentro do país. “Eu acho que esse tema está muito mais quente fora do Brasil. Ele criou um nível de importância, um nível de relevância, que é quase essencial para ter a viabilidade de países, de setores inteiros da economia”, afirmou.
Ele destacou que a La Caisse possui investimentos no setor, tanto em data centers quanto em transmissão, e ressaltou que se trata de um segmento com grande volatilidade e capaz de atrair volumes expressivos de capital.
Quando questionado se o Brasil teria perdido a janela de oportunidade nessa corrida, Farhat disse acreditar que tem espaço. “Eu acho que a gente está um pouquinho atrás. É uma posição vantajosa? Não, não é. Mas tem como a gente acelerar.” Para ele, o país conta com ativos relevantes nesse contexto, como abundância de energia, mão de obra disponível e conectividade.
Energia renovável
Um ponto destacado na conversa foi a centralidade da energia para o funcionamento da infraestrutura de inteligência artificial. Farhat ressaltou que, mais do que energia em geral, o acesso a fontes renováveis tornou-se uma exigência nos contratos de data centers.
“Acaba sendo uma necessidade relevante nos contratos de data center de você ter acesso a energia renovável abundante que permita com que você sirva a necessidade daquele data center, daquele parque, daquela infraestrutura”, explicou.
Visão do investidor estrangeiro
Ao ser perguntado sobre a atratividade do Brasil para o capital estrangeiro ao longo de quase duas décadas de atuação no país, Farhat recorreu a uma frase que considera emblemática: “O Brasil nunca é tão ruim quanto dizem, nem tão bom quanto parece.”
Para ele, a tendência do país é positiva, mas sua volatilidade penaliza quem tenta acertar o momento exato de entrada ou saída. “O Brasil é um país que demanda constância, paciência”, disse, acrescentando que investidores que tentam cronometrar o mercado brasileiro costumam se sair mal.
Farhat explicou que sua estratégia é voltada para o longo prazo, mirando fluxos de caixa de 20 a 30 anos, o que reduz a importância do ponto de entrada. Ele também citou reformas estruturantes realizadas pelo Brasil nos últimos anos, como a reforma da previdência, a nova lei do trabalho, a lei do gás, a lei do saneamento, a lei da liberdade econômica e a independência do Banco Central, como sinais positivos de competitividade.
Contudo, alertou que o problema fiscal do país, que mantém a taxa de juros elevada, precisa ser endereçado independentemente de orientação política. “O sujeito está com calafrio porque ele está com febre, mas o problema não é febre, o problema é infecção”, comparou, concluindo que resolver essa questão criaria um círculo virtuoso para a economia brasileira.
Café com Investidor
O programa Café com Investidor é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Ralphe Manzoni. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.

