Advogados do presidente do Paraguai, Santiago Peña, chegaram ao Senado do país no início da tarde desta sexta-feira (6) para apresentar sua defesa no processo de impeachment que corre no Legislativo do país. O chefe de Estado não compareceu.
Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda foram ao Congresso após o Senado rejeitar o pedido de prorrogação de 72h do processo.
Ainda na quinta-feira (5), a Câmara do Paraguai aprovou o impeachment de Peña por unanimidade. A Casa Legislativa negou, por sua vez, o impeachment do vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir o governo.
Mais cedo, Santiago Peña publicou uma foto ao lado dos dois advogados que o defendem.

Entenda a crise do “Banco Master paraguaio”
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.

