Durante uma busca em águas profundas por organismos gelatinosos, como águas-vivas, uma equipe de cientistas do MBARI (Instituto de Pesquisa do Aquário de Monterey Bay) encontrou-se cara a cara com um dos peixes mais misteriosos do Oceano Pacífico.
O Macropinna microstoma ou peixe olho-de-barril vive na chamada zona crepuscular (mesopelágica) do oceano, entre 460 e 800 metros de profundidade. Seu último avistamento foi apenas em 2021; desta vez, os pesquisadores conseguiram capturá-lo em vídeo.
“Ver um peixe olho-de-barril é um presente raro. A equipe de todo o navio uniu-se ao time científico na sala de comando, maravilhada por este animal notável”, disse o pesquisador sênior do MBARI, Steven Haddock.
O time ficou surpreso pela coragem do peixe, que permaneceu próximo ao veículo de operação remota por cerca de 20 minutos. Neste período, foi possível capturar imagens tridimensionais de todos os ângulos do animal – um achado que, de acordo com o texto divulgado pelo instituto à imprensa, “pode contribuir para a educação e os esforços de proteção da espécie no futuro”.
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“Animais abissais capturam a imaginação, criando um encantamento e admiração que esperamos que inspire uma gestão responsável do maior habitat do planeta Terra”, afirma Haddock.
Visual surpreendente
Esta curiosa espécie vê através da própria “testa”, com uma cabeça translúcida que parece ter saído de filmes sobre alienígenas. Seus olhos redondos brilham na cor verde e giram para enxergar acima da própria cabeça.
A espécie só havia sido observada outras dez vezes. Outras pesquisas do MBARI registraram como ele usa a transparência da cabeça para caçar e se alimentar.
“O Macropinna vive na zona crepuscular, procurando silhuetas de presas nas águas mais rasas. Suas grandes nadadeiras conferem estabilidade e controle para que o peixe fique no mesmo lugar, olhos fixados para cima”, descreve o especialista de comunicação do instituto, Raúl Nava. “Quando identifica algo interessante, seus grandes olhos tubulares rotacionam sob o tecido transparente para acompanhá-lo. Este escudo gelatinoso também protege os olhos do peixe.”
“Os Macropinna nos lembram de todos os meios surpreendentes que animais desenvolveram para viver nas águas profundas do oceano”, comenta Haddock. “Tantos deles sobrevivem apenas procurando pistas ópticas sutis, como uma sombra passando acima, e isso estimula a competição evolutiva, testando a camuflagem bioluminescente contra capacidades de visão cada vez mais sofisticadas.”

