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Licínio Januário troca engenharia para viver mocinho em “A Nobreza do Amor”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Licínio Januário troca engenharia para viver mocinho em “A Nobreza do Amor”

Licínio Januário tem vivido um momento importante na carreira. O ator, de 34 anos, interpreta Dumi, um dos personagens de maior destaque do núcleo africano da novela “A Nobreza do Amor”, da TV Globo, na faixa das 18h.

Antes do folhetim, o artista, que veio da Angola para o Brasil há 17 anos, garantiu trabalhos que ficaram marcados na teledramaturgia e também no cinema brasileiros.

Januário estreou em novelas brasileiras em “Segundo Sol” (2018) e, desde então, tem acumulado projetos importantes. Além de trabalhar no remake de “Vale Tudo” (2025) como Luciano, ele garantiu espaço em “O Agente Secreto” (2025), filme de Kleber Mendonça Filho, que ganhou um Globo de Ouro e foi indicado ao Oscar.

À CNN Brasil, o ator celebrou a oportunidade de viver um personagem importante em “A Nobreza do Amor”, comentou sobre parcerias profissionais nos bastidores e também entregou como foi trabalhar em obras tão importantes.

Intérprete de Dumi, o líder da resistência contra o regime ditatorial e golpista de Jendal (Lázaro Ramos), Licínio Januário vive um momento glorioso na carreira. “O Dumi foi o meu maior desafio até agora”, avalia o ator.

Segundo o artista, o trabalho é importante pelo fato de o personagem ter muitas camadas. “É a minha segunda novela inteira, e é um personagem com bastante responsabilidade na trama. Ele começa com uma trama legal, como general, e com o tempo vai se tornando cada vez mais vulnerável”, segue.

O ator define o elenco como “superfantástico” e destacou a admiração que possui por cada um dos atores que trabalham com ele em “A Nobreza do Amor”, mesmo aqueles que fazem parte de outros núcleos. “Eu posso dizer que, enfim, foi um trabalho superbacana, desafiador e está aí a prova. A galera curte bastante”, comenta.

A relação com Duda Santos, intérprete de Alika, também foi importante para a criação de Dumi. “A gente, enquanto atores, vai criando as nossas ligações e vai jogando as nossas aspirações e deixando os autores ali escrevendo”.

Sobre os personagens, ele reflete: “As famílias deles ocupam cargos. Então, é um negócio tipo: ‘Caraca, é a nossa geração agora, tu vai ser a rainha, eu vou ser o chefe da guarda e é isso, parceiros para a vida’. Eu posso dizer que o Dumi vai estar aí para cumprir a missão dele, que é garantir com que essa amiga dele assuma esse trono de Batanga”.

Para Licínio, “A Nobreza do Amor” tem um lugar de pioneirismo na TV. Ele avalia que é a primeira vez que uma novela traz a África no núcleo principal, e isso é sentido pelo elenco.

“Quando nos reunimos pela primeira vez, a gente falou: ‘É uma responsabilidade isso que a gente vai fazer’. É uma responsabilidade para o lado pessoal de cada um. A gente interpreta os personagens que a gente sempre quis ver na tela, que vê talvez em outras línguas, mas sempre gostaria de ver falando em português, para ajudar nessa nossa construção enquanto indivíduos”.

Licínio Januário

Licínio Januário usa lente de contato em “A Nobreza do Amor”?

A caracterização de Dumi também é algo importante para a construção do personagem. Nas redes sociais, é comum encontrar comentários do público se questionando se o personagem tem realmente olhos verdes ou se ele usa lentes de contato. O personagem de Lázaro Ramos, inclusive, chamou Dumi diversas vezes de “olho cozido”.

“Eu nunca tinha usado lente. Nunca usei lente na minha vida, e esse negócio da lente foi muito legal. Eu nunca usei piercing, eu não tenho tatuagem, nada. Primeiro foi o figurino. [Perguntaram] ‘você toparia botar umas argolas e tal?’. Eu falei: ‘Top’ (risos). Foram cinco argolas aqui, o processo foi daquele jeito”, entrega.

O mundo dos heróis também contribuiu para que Dumi existisse. “Eu sou fã do Blade do Wesley Snipes. Minha referência jovem era ser o Blade, esse anti-herói que eu sou apaixonado. Enquanto ator, quanto mais elementos derem para a gente do personagem, melhor. A gente acaba viajando”, avalia.

Ele ainda relata que o próprio Lázaro Ramos o definiu como o “herói de Batanga”, dado a importância do personagem na trama.

Parcerias

A relação com o veterano, inclusive, veio de outros tempos. Ramos dirigiu Januário em “Medida Provisória” (2020) e já cruzou o caminho artístico com o colega em outras produções ao longo dos anos. “A gente sempre foi muito próximo. A gente faz parte de uma geração de atores que, nesses últimos 10 para 12 anos, fez muita coisa no Rio de Janeiro. Muita coisa coletivamente. A conexão foi imediata, uma troca imediata”, comenta.

Em “A Nobreza do Amor”, Licínio Januário reencontra Taís Araujo, com quem trabalhou em “Vale Tudo”. No remake, ele viveu o primeiro chefe e amigo de Ivan (Renato Góes).

O ator relembra uma sequência que gravou com a artista enquanto ela vivia a protagonista Raquel. Na cena em questão, que ele avalia como muito importante, a mulher entra como um furacão na casa dele atrás de Ivan. A gravação causou forte nervosismo do ator.

“Eu suava, não sei por quê. E foi uma cena linda. A Taís é supersolícita, super-humilde, de troca, de bater texto. A gente tinha um time de atores massa e essa galera mais velha, mais consagrada, abraçou a gente”, elogia.

Ele ainda entrega ter consciência da importância da primeira “Vale Tudo” na teledramaturgia. “Eu moro aqui há 17 anos, então acompanho muito bem isso. Estou por dentro das questões do mercado. Que loucura essa versão de ‘Vale Tudo’ ter uma assinatura ali de Angola junto. As novelas são produtos históricos. Tem coisas que a gente está fazendo agora que vão decorrer por muitos e muitos anos. Foi um desafio legal para mim, foi a minha primeira novela cheia”, define.

O ator destaca que, quando está em um trabalho, tem a oportunidade de levar a Angola com ele, mesmo que tenha que mudar o sotaque.

Foto de Licínio Januário
Licínio Januário acumula trabalhos na TV, cinema e teatro no Brasil • Instagram/Licínio Januário

Orgulho de “O Agente Secreto”

Licínio Januário estudou engenharia civil antes de caminhar para as artes. Estar em um trabalho como “O Agente Secreto” mostra como as decisões do passado foram importantes para que ele pudesse chegar onde chegou.

“Eu vim da engenharia civil, vou para a atuação por causa da capoeira, eu estou sempre caminhando. Não coloco um ponto final. Quando passei para fazer o filme, disse: ‘Vou ter a honra de trabalhar com o Kléber, com o Wagner, com o Zezu, a Alice’. Uma galera supermassa do cinema. Digo que eu fui vivendo muito sem saber para onde ia dar”, analisa.

“Eu sempre agradeço o Licínio de 14 anos atrás, quando deu o primeiro passo para seguir nas artes, mesmo com muito medo”. 

Licínio Januário

Licínio afirma que, no início da carreira, ficou preocupado por entender que o mercado artístico tinha um número de diretores e produtores negros reduzido, no entanto, acreditou que a empreitada pudesse dar certo.

“Quando eu vejo trabalhos como esse ganhando o mundo, chegando lá nas telas mais desejadas do mundo, eu só consigo agradecer por eu ter dado aquele primeiro passo que me guiou a ter esse lugar, que me guiou para pessoas fantásticas, pessoas que estão ali com mensagens muito importantes para o mundo, que o ‘Agente Secreto’ carrega”, declara.

O ator também entrega que o sotaque nunca foi um problema para que fosse escalado em projetos. Ele explica que sempre colocou um pouco do sotaque angolano nos trabalhos, mas reconhece que consegue transitar entre um dialeto e o outro, o que permite maior facilidade para conseguir papéis.

Licínio Januário já tem projetos após o término de “A Nobreza do Amor”. No Sesc, está em cartaz com o espetáculo “Palco Caderno”, que ganhará uma nova temporada. Na última quinta-feira (29), estreou em “100 Dias”, filme de Carlos Saldanha que conta a travessia de Amir Klink pelo Oceano Atlântico. Há também filmes e séries no streaming engatilhados.

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