Um estudo realizado pelo IEE (Instituto de Evidência Educativa) indica que, se 90% das crianças de 10 anos alcançassem o nível mínimo de leitura, o PIB per capita do Brasil seria 29,3% mais alto do que no cenário de referência em 2050.
Segundo o que foi apresentado pelo “Alfabetizar a tiempo, transformar el desarrollo (Alfabetizar a tempo, transformar o desenvolvimento)”, a explicação está no que as crianças efetivamente aprendem, e não apenas nos anos que passam na escola. Essas habilidades estão associadas ao crescimento econômico de longo prazo.
A pesquisa analisa, para 21 países da América Latina e do Caribe, um cenário modelado pelo WWHGE (What Works Hub for Global Education), uma parceria internacional focada em ajudar governos de países de baixa e média renda a implementar reformas educacionais em larga escala.
No cenário projetado pelo estudo, a arrecadação adicional resultaria de aplicar a relação atual entre impostos e PIB ao produto maior, sem mudanças na política tributária. O Brasil concentraria 26,4% do produto e 26,9% da arrecadação adicional da América Latina e do Caribe. Junto com o México, reuniria 52% do produto adicional da região.
A melhora também se refletiria na escola e no trabalho. Entre 2031 e 2050, mais de 3 milhões de crianças a mais chegariam ao último ano dos anos iniciais do ensino fundamental. Outros 2 milhões teriam acesso a alguma forma de educação secundária, e haveria mais de 1 milhão de jovens adicionais com emprego persistente.
O estudo estima, ainda, que nesse período poderiam ser evitadas 23 mil mortes de crianças menores de 5 anos, 15,6% do total regional, e 83 mil casamentos e uniões infantis precoces, 22,7% do total.
Pela dimensão de sua população e de sua economia, o Brasil seria o país da América Latina e do Caribe com os maiores benefícios econômicos absolutos no cenário analisado. Isso mostra a magnitude das oportunidades de desenvolvimento associadas a garantir as aprendizagens fundamentais desde os primeiros anos de escolaridade.
“Os resultados deste estudo nos lembram que garantir a alfabetização no tempo adequado é muito mais do que alcançar uma meta educacional: significa assegurar a todas as crianças o direito de desenvolver as capacidades necessárias para continuar aprendendo e ampliar suas oportunidades ao longo da vida”, afirmou Beatriz Cardoso, fundadora e conselheira estratégica do LabEdu (Laboratório de Educação).
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