Governos e políticos de diferentes partes do mundo reagiram à vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O resultado pode ter impactos nas relações comerciais, na segurança internacional e nos preços da energia, além de influenciar a relação de Washington com outros países.
Entre as manifestações, houve críticas à política externa do presidente Donald Trump, avaliações sobre o fortalecimento da oposição democrata e declarações de cautela sobre os próximos anos do governo americano.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que os eleitores americanos votaram contra políticas que, segundo ele, prejudicam a população e favorecem as elites.
“Ontem, o povo americano votou contra políticas que só servem para empobrecer as pessoas. Contra o ódio. Contra o sexismo. Contra a negação das mudanças climáticas e contra os privilégios das elites”, escreveu na rede social X.
Sánchez também relacionou o resultado às mudanças políticas em outros países. “Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos EUA. E acontecerá em breve na Espanha.”
Ayer, la sociedad estadounidense votó contra las políticas que solo empobrecen. Contra el odio. Contra el machismo. Contra el negacionismo climático y contra los privilegios de las élites. Ocurrió en Brasil. Acaba de ocurrir en EEUU. Y ocurrirá pronto en España. La ola ultra a la que pretenden subirse Feijóo y Abascal ya no crece: se desmorona.
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) November 4, 2026
O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, disse à Reuters que o resultado representa um sinal de mudança entre os eleitores americanos.
“Estão surgindo vozes na política americana que estão mais próximas de nós do que as defendidas pelo presidente e pelo governo, por exemplo, em questões climáticas e ambientais, e em política externa e de ajuda ao desenvolvimento”, afirmou.
Reações na Europa
Na União Europeia, a vice-presidente do Parlamento Europeu, Christel Schaldemose, afirmou que a vitória democrata pode favorecer o apoio à Ucrânia, a transição energética e as relações internacionais.
“Não porque tudo agora mude para melhor, mas porque isso poderia beneficiar o apoio à Ucrânia, a transição verde e as relações com o resto do mundo”, escreveu no X.
Ela também defendeu que o bloco europeu continue investindo em sua autonomia. “A UE deve continuar a trilhar o caminho de se fortalecer e se sustentar por si só. Isso não está em discussão.”
O integrante do Parlamento Europeu e presidente da Comissão de Comércio Internacional, Bernd Lange, classificou o resultado como “um golpe devastador para Trump e suas políticas” e uma “grande vitória para a democracia americana”.
Lange também alertou que um Trump enfraquecido pode se tornar mais agressivo e imprevisível. Para ele, a União Europeia precisa estar preparada para defender seus próprios interesses, especialmente diante do protecionismo americano.
Na França, o ministro das Finanças, Roland Lescure, afirmou que Trump precisará decidir se muda sua postura diante das preocupações dos eleitores, principalmente em relação aos preços dos combustíveis e ao envolvimento internacional dos Estados Unidos.
Já Jordan Bardella, presidente do partido francês de oposição Reunião Nacional, disse que é necessário respeitar o resultado das urnas. Ele também relacionou a política americana em relação ao Irã ao aumento dos preços do petróleo e aos impactos sobre o poder de compra dos europeus.
Na Alemanha, Alice Weidel, co-líder do partido AfD, afirmou que a promessa de Trump de evitar uma política externa intervencionista acabou prejudicando os republicanos.
Ines Schwerdtner, co-líder do Partido de Esquerda alemão, classificou o resultado como uma “derrota esmagadora para a direita global”.
O ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, avaliou que a polarização política nos Estados Unidos pode dificultar a governabilidade nos próximos anos. Ele afirmou que acompanhará principalmente os desdobramentos nas políticas comerciais, no apoio à Ucrânia e na Otan.
Na Grécia, o porta-voz do governo, Pavlos Marinakis, afirmou que o resultado não deve afetar a relação entre os dois países.
“As relações greco-americanas permanecerão fortes. Os Estados Unidos são nosso aliado estratégico, e isso continuará valendo para grandes projetos e todos os principais acordos”, declarou à televisão local SKAI.
O primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babiš, por sua vez, afirmou que a vitória democrata pode provocar um período de paralisação política nos Estados Unidos, marcado por disputas sobre impeachment e vetos presidenciais.
Rússia, Irã e Ásia
Na Rússia, o vice-ministro das Relações Exteriores Sergei Ryabkov afirmou que o governo acompanhará a conclusão dos resultados, mas não espera mudanças em sua política externa.
“A abordagem da liderança do Partido Democrata em relação à Rússia é fortemente negativa. Não há nada de novo nisso”, declarou, segundo a agência estatal russa RIA.
Ryabkov acrescentou que a posição de Moscou sobre a Ucrânia não depende das mudanças políticas em outros países.
No Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, interpretou o resultado como uma rejeição dos americanos à guerra.
“Os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem”, escreveu no X. Ele também afirmou que o governo americano não deveria ignorar a vontade dos eleitores.
Conscience or the cost of living, Americans said NO TO WAR, and we endorse this message. If the US govt betrays their public will to serve international paymasters and blackmailers, it will learn our NO comes with a Nightmare.
— محمدباقر قالیباف | MB Ghalibaf (@mb_ghalibaf) November 4, 2026
Em Taiwan, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que pretende manter e ampliar a cooperação com os Estados Unidos, independentemente dos resultados eleitorais. O governo destacou áreas como segurança, comércio, tecnologia e educação.
No Japão, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou que a aliança com Washington continuará sendo central para a política externa e de segurança japonesa.
“Independentemente do resultado desta eleição, a aliança Japão-EUA é a pedra angular da política externa e de segurança do Japão”, declarou.
África do Sul
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, também comentou o resultado. Em conversa com jornalistas, afirmou que a eleição pode inaugurar uma nova etapa nas relações internacionais.
“Vimos que os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara, e o povo americano se manifestou”, disse.
Como funcionam a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos?

