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Brasil deve bater recorde de exportação de frango apesar de Newcastle

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Brasil deve bater recorde de exportação de frango apesar de Newcastle

O caso de doença de Newcastle registrado no Brasil deve ter impacto limitado sobre as exportações de carne de frango, permitindo que o país encerre 2026 com um novo recorde de embarques, segundo avaliação do Rabobank. 

Segundo Wagner Yanaguizawa, analista de proteínas do Rabobank, a regionalização permite que os países importadores restrinjam as compras apenas das áreas afetadas pela ocorrência sanitária, em vez de suspenderem os embarques de todo o território brasileiro. Os principais mercados do Brasil já aceitam esse tipo de acordo, seja em nível estadual ou municipal. 

“Os embarques continuam de certa forma positivos, mesmo com essas limitações”, afirmou Yanaguizawa durante coletiva de imprensa.

O modelo reduz os efeitos de eventuais restrições sobre a indústria nacional, embora ainda existam limitações operacionais para redirecionar a produção. Isso porque há uma concentração de unidades de abate na região Sul, o que dificulta transferir rapidamente os volumes para outras localidades sem comprometer o fluxo de exportações.

O analista avalia que pode haver uma pressão temporária sobre os preços do frango em Santa Catarina, Estado em que aproximadamente 63% da produção é destinada ao mercado externo. A expectativa, porém, é de que os efeitos sejam limitados e não comprometam o desempenho exportador brasileiro.

O cenário é “mais tranquilo” do observado durante o episódio de gripe aviária registrado no ano passado, disse. Na ocasião, a suspensão temporária das exportações por quatro meses provocou uma queda de 17% nos embarques na comparação anual, segundo os dados apresentados pelo analista.

Exportações

O Rabobank estima que os embarques brasileiros alcancem 5,75 milhões de toneladas em 2026 e avancem para 5,95 milhões de toneladas em 2027, crescimento de aproximadamente 3,5%.

A perspectiva considera a continuidade da demanda internacional pela carne brasileira e a capacidade do país de manter o abastecimento dos mercados compradores mesmo diante de ocorrências sanitárias pontuais.

Para Yanaguizawa, diferentemente dos mercados de carne bovina e suína, que enfrentam um cenário global de maior restrição de oferta, o mercado de frango está mais bem abastecido. Ainda assim, o Brasil deve manter oportunidades de crescimento no comércio exterior.

Produção deve crescer 2,5%

A produção brasileira de carne de frango deve alcançar 16,3 milhões de toneladas em 2026 e avançar para 16,7 milhões de toneladas em 2027, alta de 2,5%, conforme as projeções do Rabobank.

O crescimento da oferta deve acompanhar a expansão do consumo doméstico. O banco estima que o consumo por habitante passe de 50,7 quilos em 2026 para 51,5 quilos em 2027, aumento de 1,8%.

O analista, no entanto, aponta que o mercado interno pode começar a apresentar sinais de saturação caso o consumo continue avançando. Durante a pandemia, em 2021 e 2022, o consumo brasileiro de frango superou 50 quilos por habitante ao ano, e o setor começou a observar sinais de limitação na capacidade de absorção do mercado.

Esse comportamento pode abrir espaço para outras proteínas, especialmente o pescado. Yanaguizawa destacou o crescimento da produção de tilápia, com destaque para o Paraná, que vem ampliando a disponibilidade do produto e pode contribuir para diversificar o consumo de proteínas no país.

Do lado dos custos, o Rabobank espera que os preços da ração fiquem um pouco acima da média observada neste ano, o que pode elevar os custos de produção e exigir preços de venda maiores para preservar a rentabilidade da atividade. Ainda assim, a combinação de crescimento das exportações e do consumo doméstico deve favorecer uma recuperação das margens do setor em 2027, na avaliação do analista.

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