A vitória dos democratas no Congresso dos Estados Unidos pode representar uma mudança significativa na correlação de forças entre Washington e Brasília. Segundo o analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, o resultado eleitoral abre uma janela importante para o diálogo entre os dois governos, embora não altere de imediato a realidade das relações bilaterais.
Para o correspondente, Donald Trump, que logo após assumir o governo americano detinha amplo poder interno para agir de forma unilateral, encontra-se agora em uma posição consideravelmente mais fragilizada. “Neste momento, com essa vitória dos democratas no Congresso, ele passa a ser um presidente bem mais enfraquecido”, afirmou o analista.
Em contrapartida, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito e chega às negociações com maior respaldo político.
Tensões acumuladas e temas em pauta
Américo Martins destacou que há uma série de questões que poderiam ser discutidas com mais ênfase nesse novo cenário. Entre elas, estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos, decretos unilaterais que classificaram organizações criminosas brasileiras como terroristas, pressões sobre o governo brasileiro e os problemas relacionados ao visto da embaixadora brasileira.
“Tudo isso tinha um contexto eleitoral que foi ultrapassado”, avaliou o analista, acrescentando que parte dessas ações tinha o objetivo de criar dificuldades durante o processo eleitoral para a candidatura de Lula.
De acordo com o analista, diplomatas e formuladores da política externa brasileira acompanharam de perto as eleições americanas e entendem que a principal prioridade do Brasil no campo internacional é justamente refazer as relações com os Estados Unidos e reduzir as tensões. “O governo brasileiro está aberto e está querendo fazer esse diálogo”, afirmou.
O analista ponderou, no entanto, que a concretização de uma melhora dependerá também da receptividade do lado americano, especialmente diante de figuras consideradas radicalizadas no Departamento de Estado, que, segundo ele, veem a América Latina como o “quintal dos Estados Unidos”.
G20 como possível palco para reaproximação
Um caminho apontado por Américo Martins para avançar nessa reaproximação seria uma relação direta entre Lula e Donald Trump, contornando o Departamento de Estado. Nesse sentido, a cúpula do G20, prevista para o final do ano nos Estados Unidos, surge como uma oportunidade concreta para um encontro entre os dois líderes.
“Vai ser uma oportunidade o presidente Lula se encontrar com o presidente Donald Trump com essa correlação de forças agora mudada“, disse o analista.

