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Milho recua 1,28% em Chicago com oferta elevada e dúvidas sobre demanda

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Milho recua 1,28% em Chicago com oferta elevada e dúvidas sobre demanda

O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou o pregão desta terça-feira (03) com queda de 1,28% na bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,42 por bushel.

Segundo análise da Royal Rural, os preços continuam pressionados pela elevada oferta norte-americana e pelas incertezas sobre a capacidade da demanda de absorver a produção. O mercado também repercute os relatórios baixistas divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em outubro, que contribuíram para uma desvalorização superior a US$ 29,50 por tonelada desde o fim de setembro.

Outro fator de pressão são as novas estimativas da StoneX, que apontam para uma produção brasileira maior de milho na safra 2026/27. Nos Estados Unidos, a colheita já alcançou 74% da área, ampliando a disponibilidade do cereal no mercado. Além disso, a liquidação de posições por parte dos fundos de investimento pode intensificar o movimento de baixa.

Pelo lado da demanda, apesar das compras expressivas realizadas por México e Coreia do Sul, as cotações continuam recuando em Chicago. Para alcançar a projeção anual de exportações do USDA, as vendas norte-americanas precisam manter um ritmo próximo de 1,37 milhão de toneladas por semana. Nas duas semanas anteriores, a média ficou em 1,41 milhão de toneladas, indicando que a demanda segue presente, mas precisa sustentar esse desempenho.

O consumo de milho destinado à produção de etanol também está no radar. Em setembro, as usinas norte-americanas utilizaram 11,14 milhões de toneladas do cereal. Para cumprir a estimativa anual do USDA, porém, a média mensal necessária está próxima de 12,04 milhões de toneladas, o que indica a necessidade de aceleração da demanda industrial.

No mercado brasileiro, o comportamento dos contratos foi diferente. Enquanto o milho para dezembro de 2026 recuava 1,39% em Chicago, o vencimento janeiro de 2027 avançava 0,59% na B3. A movimentação ocorreu em meio à valorização do dólar, que se aproximava de R$ 5,49 e melhorava a paridade de exportação, oferecendo sustentação às cotações domésticas.

Na avaliação da Royal Rural, o câmbio tem amortecido parte da pressão exercida pelo mercado internacional, mas ainda não representa uma recuperação consistente dos fundamentos do milho. Para confirmar uma melhora, será necessário acompanhar o ritmo das vendas e dos embarques norte-americanos, o consumo destinado ao etanol e a evolução da safra sul-americana.

Para o produtor brasileiro, a recomendação é observar se a valorização dos contratos futuros também chega às ofertas de compra no mercado físico. A alta da B3 impulsionada pelo dólar pode melhorar as condições de comercialização, mas não significa, necessariamente, uma recuperação da demanda ou dos fundamentos do cereal.

Soja

A combinação entre o avanço da colheita norte-americana, a expectativa de uma possível revisão positiva nas estimativas de produtividade dos Estados Unidos e a movimentação cambial no Brasil marcou o pregão da soja nesta terça-feira. Na Bolsa de Chicago, os investidores acompanharam também os desdobramentos das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e novos sinais da demanda internacional. Nesse cenário, o contrato futuro da oleaginosa para entrega em janeiro encerrou o dia com queda de 0,23%, cotado a US$ 12,14 por bushel.

Segundo análise da Granar, a entrada da nova safra no mercado e a possibilidade de o USDA elevar sua estimativa de produtividade norte-americana no próximo relatório, previsto para terça-feira, mantiveram a pressão sobre os preços.

Os dados mais recentes do USDA mostram que a colheita de soja nos Estados Unidos alcançou 88% da área, avanço em relação aos 79% registrados na semana anterior. O resultado também supera a média dos últimos anos, de 84%, e está em linha com a expectativa dos operadores do mercado.

No Brasil, a desvalorização do real frente ao dólar continuou favorecendo a competitividade da soja nacional no mercado internacional. O câmbio mais elevado também estimula os produtores a comercializarem parte dos estoques, uma vez que permite obter mais reais por tonelada negociada.

Pelo lado da demanda, o USDA confirmou nesta terça-feira uma nova venda de 134 mil toneladas de soja norte-americana para entrega na temporada 2026/27. Os destinos da operação não foram divulgados pelo órgão, embora os operadores do mercado esperassem que o volume tivesse a China como destino.

Trigo

O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro encerrou o pregão com desvalorização de 1,11%, cotado a US$ 5,99 por bushel na Bolsa de Chicago.

Segundo análise da Granar, os preços voltaram a fechar em baixa nos mercados norte-americanos, em meio às expectativas dos investidores sobre possíveis avanços nas negociações diplomáticas conduzidas pelos Estados Unidos para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. A perspectiva de um acordo para o conflito na região do Mar Negro aumentou a pressão sobre as cotações.

Outro fator de baixa é o avanço da colheita no Hemisfério Sul, que começa a ampliar a oferta global com a entrada de novos volumes de trigo da Austrália e da Argentina no mercado internacional.

No cenário geopolítico, a Reuters informou que delegações da Ucrânia e da Rússia devem se reunir em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, entre os dias 10 e 11 de novembro, com mediação dos Estados Unidos. A pauta inclui discussões sobre o encerramento da guerra, possíveis acordos de segurança para o período pós-conflito e medidas de desescalada.

Tanto o Kremlin quanto o governo ucraniano confirmaram a participação nas negociações. Os últimos encontros de paz mediados pelos Estados Unidos haviam ocorrido em fevereiro, antes do início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

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