A transmissora colombiana Isa Energia Brasil registrou lucro líquido regulatório de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre de 2026, alta de 246,3% em relação aos R$ 550 milhões apurados no mesmo período de 2025. Os dados do balanço foram divulgados na noite desta terça-feira (3).
O resultado foi impulsionado por um ganho contábil não recorrente de R$ 1,27 bilhão, sem efeito no caixa, relacionado à reorganização das participações nas transmissoras IE Madeira e IE Garanhuns. Sem esse efeito, o lucro líquido regulatório pró-forma somou R$ 625 milhões, crescimento de 14% sobre o terceiro trimestre do ano passado.
A receita líquida regulatória alcançou R$ 1,51 bilhão entre julho e setembro, avanço de 41% sobre os R$ 1 bilhão registrados nos mesmos meses de 2025. A consolidação da IE Madeira, iniciada em agosto, contribuiu com R$ 132 milhões para a receita do trimestre.
Segundo a companhia, o desempenho também refletiu a entrada em operação de novos empreendimentos e de reforços e melhorias, além do reajuste da receita anual permitida (RAP) pelo IPCA, de 4,72%, no ciclo tarifário 2026/2027. Os projetos Riacho Grande, Jacarandá e Piraquê, energizados entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026, habilitaram RAP de R$ 479 milhões.
Em entrevista à CNN, o CEO da empresa, Rui Chammas, conta que entre os destaques do trimestre, se destacam o reajuste do ciclo 2026/2027 que aumentou a receita anual permitida (RAP em R$ 700 milhões), o follow on primário com emissão de R$ 1,2 bilhão em ações, descruzamento das interligações Madeira e Garanhuns com a Axia.
A operação societária foi concluída em 31 de julho. Com a transação, a Isa passou a deter 100% da IE Madeira e vendeu sua participação de 51% na IE Garanhuns. A operação envolveu pagamento em caixa de R$ 1,2 bilhão. O ganho contábil decorreu do ajuste dos ativos a valor justo, da compra vantajosa da IE Madeira e do resultado da venda de Garanhuns.
“Sob a ótica dos investimentos, aportamos R$ 1,1 bilhão no trimestre, uma redução de projetos greenfield (novos), pois a gente energizou três projetos nos últimos 12 meses e temos outros dois em construção”, diz. Entretanto, os projetos de reforços e melhorias cresceram 32% os investimentos com um pipeline que vem crescendo”, diz Chammas.
O Ebitda regulatório (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), atingiu R$ 3,19 bilhões, alta de 259% sobre os R$ 888 milhões do terceiro trimestre de 2025. Excluído o efeito contábil de R$ 1,93 bilhão da reorganização societária, o Ebitda pró-forma ficou em R$ 1,2 bilhão, crescimento de 41% na mesma comparação.
Os custos e despesas com PMSO (pessoal, material, serviços e outros) somaram R$ 235 milhões, aumento de 26% sobre os R$ 187 milhões do mesmo trimestre de 2025. A companhia atribuiu a alta, entre outros fatores, à consolidação da IE Madeira, a despesas com a transação e aos gastos com remuneração e serviços. O lucro também foi pressionado pelo aumento das despesas financeiras e da depreciação associada à entrada em operação de ativos.
Os investimentos totalizaram R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre, recuo de 9% em relação ao mesmo período de 2025. A empresa tem pela frente cerca de R$ 12 bilhões em aportes a realizar em projetos de leilões e reforços e melhoria.
Os aportes em novos empreendimentos caíram 32%, para R$ 524,9 milhões, enquanto os destinados a reforços e melhorias aumentaram 32%, para R$ 578,5 milhões, também na comparação anual. A carteira autorizada de reforços e melhorias somava R$ 7,6 bilhões em setembro.
A dívida líquida encerrou setembro em R$ 17 bilhões. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, ficou em 3,68 vezes, conforme a metodologia de financiamento do BNDES utilizada pela companhia. A dívida bruta era de R$ 19,8 bilhões.
A diretora de finanças e relações com investidores da Isa Energia Brasil, Silvia Wada, diz que é uma alavancagem equilibrada, apesar do leve crescimento em relação a dezembro de 2025. “Um perfil muito saudável em que 90% da nossa dívida tem vencimento a partir de 2030, sendo que 60% dela é indexada à inflação, ou seja, tem um hedge natural com nossa receita, e apenas ⅓ indexada ao CDI”, explica a executiva.
A Isa também informou a distribuição de R$ 398,7 milhões em juros sobre o capital próprio, referentes ao resultado do primeiro semestre de 2026. O montante corresponde a R$ 0,566877 por ação, com pagamento em 7 de dezembro. Segundo a empresa, a base de cálculo dos proventos de 2026 será o lucro líquido regulatório pró-forma, que exclui o efeito contábil não recorrente da reorganização societária.
