A última rodada de pesquisas da AtlasIntel aponta candidatos democratas à frente em 10 estados considerados cruciais para definir o controle do Senado dos Estados Unidos.
O índice de aprovação do presidente americano, Donald Trump, chegou às eleições de meio de mandato em 40,3%, próximo à mínima histórica, segundo o levantamento.
Em entrevista ao Bastidores CNN, Andrei Roman, cientista político e CEO da AtlasIntel, avaliou que as chamadas midterms nunca são eleições simples para quem está no poder, e que o cenário apresenta dificuldades estruturais específicas para Trump, destacando o peso dos eleitores decisivos.
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“As eleições de médio termo nunca são fáceis para nenhum incumbente nos Estados Unidos”, afirmou Roman, acrescentando que uma parcela significativa do eleitorado de Trump é composta por eleitores rurais, que tendem a se mobilizar com menos frequência em disputas legislativas do que em eleições presidenciais.
Custo de vida e eleitorado latino como fatores determinantes
Andrei Roman destacou dois fatores adicionais que, segundo ele, agravam o cenário para os republicanos.
O primeiro é o custo de vida: “O fato é que a guerra no Irã aumentou muito o preço da gasolina e, de forma geral, as pressões sobre a inflação nos Estados Unidos”, disse.
Para o especialista, essa questão era uma das principais promessas de campanha de Trump e uma das críticas mais recorrentes ao seu antecessor, Joe Biden.
“O que o eleitorado americano enxerga hoje é que essa questão não vem melhorando. Pelo contrário, a percepção é que de fato existe uma piora”, avaliou Roman.
O segundo fator apontado pelo especialista é a ativação do eleitorado latino.
Segundo Roman, as políticas de deportação e a atuação do ICE no país estão provocando uma mobilização sem precedentes desse grupo. “Hoje os latinos baterão qualquer recorde”, afirmou.
De acordo com as estimativas da AtlasIntel, cerca de um terço da vantagem democrata nas eleições seria diretamente decorrente dessa nova ativação dos eleitores latinos, grupo que, segundo Roman, deverá ocupar um papel cada vez mais central nas estratégias dos dois partidos nas próximas eleições presidenciais.
Independentes e jovens como grupos a observar
Questionado sobre quais grupos eleitorais serão decisivos na disputa pelo Congresso, Roman foi categórico: “Os independentes, sempre em eleições de médio termo, são o eleitorado mais importante a ser avaliado.”
O especialista destacou especialmente o eleitorado feminino dos subúrbios e a classe média americana, que, segundo ele, possui uma identidade política menos enraizada.
Estados considerados pêndulo, como Carolina do Norte, Michigan, Washington e Pensilvânia, serão os principais palcos dessa disputa.
Roman também chamou atenção para o comportamento atípico do eleitorado jovem neste ciclo eleitoral.
Embora jovens costumem se mobilizar menos em eleições de meio de mandato, o especialista avaliou que a política externa dos EUA — em especial o conflito entre Israel e Hamas — vem gerando uma militância intensa na base do Partido Democrata.
“Isso vem mobilizando o eleitorado jovem de uma maneira atípica para este tipo de eleição e isso também é uma notícia boa na margem para os democratas”, disse.
Cenário aponta para derrota histórica no voto popular
Com base nas pesquisas de véspera da AtlasIntel, Roman projetou uma vantagem de 14 pontos percentuais para os democratas no chamado generic ballot — que mede o voto popular somado em todos os distritos para a Câmara dos Representantes.
“Isso seria a maior derrota de um incumbente nesse tipo de eleição desde o Watergate”, afirmou o especialista.
Para o Senado, Roman destacou que o mapa inicial do ciclo parecia favorável aos republicanos, dado o perfil dos estados com eleições neste ano.
No entanto, a erosão dos índices de popularidade do governo e o que ele descreveu como uma campanha “mal planejada e mal manejada” teriam revertido essa vantagem estrutural.
Nas dez corridas consideradas competitivas para o Senado, as pesquisas de véspera da AtlasIntel mostram candidatos democratas à frente em todas elas.

