Deixar o filho na casa dos avós já foi mais fácil. Por alguns anos na década de 1910, o USPS (United States Postal Service ou Serviço Postal dos Estados Unidos) permitiu que crianças desacompanhadas dos pais fossem transportadas por carteiros junto às outras “encomendas”.
A prática foi uma consequência inesperada da criação do “Parcel Post”, o serviço de entrega de grandes pacotes que barateou envios antes exclusivos a companhias privadas. Inicialmente, era possível despachar objetos de até 5 quilos (ou 11 libras).
Imediatamente, alguns pais perceberam que o custo do envio no USPS, na ordem de centavos, era menor que o de muitas passagens de trem. Para famílias em zonas rurais, mais distantes das malhas ferroviárias, a diferença era significativa.
Semanas depois da criação do Parcel Post, jornalistas noticiaram o primeiro envio de um bebê pelo serviço postal. Em 1913, o casal Jesse e Mathilda Beagle, de Ohio, despachou seu filho de oito meses para a casa da avó por apenas 15 centavos.
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O bebê, James, era mais leve que o peso máximo de postagem e, segundo recorte de jornal obtido pelo National Postal Museum, chegou “com segurança” ao endereço preso em seu cobertor. Ao menos um cuidado especial foi tomado pelos pais: o envio tinha seguro no valor de US$ 50.
Um ano depois, outra história de criança enviada por correio ganhou atenção nacional e até virou livro infantil. Charlotte May Pierstoff, 5, foi da casa de seus pais em Grangeville, Idaho, até a casa de sua vó a cerca de 117 quilômetros de distância.
A criança não se enquadrava nos limites de peso, mas a família pediu a ajuda de um primo que trabalhava no serviço postal ferroviário. O rapaz concordou em acompanhar May na viagem, o que convenceu seus superiores a permitir o despacho no valor de 53 centavos.
A maior parte dos casos acontecia, de acordo com a revista do Museu Smithsonian, por conta da colaboração de funcionários em áreas rurais, que abriam exceções para pais que as solicitassem.
Jenny Lynch, historiadora especialista na história dos correios americanos, disse à publicação que o costume “prova que os carteiros eram servidores de confiança”. “Existem histórias de entregadores rurais transportando crianças e cuidando de doentes. Até hoje, eles salvam vidas porque, às vezes, são os únicos visitando casas remotas todos os dias”, afirmou.

Em junho de 1920, o USPS decidiu enfim proibir, em nível nacional, o envio de crianças pelo serviço postal. Segundo nota no The Washington Post, a justificativa foi que, enquanto o correio ainda permitia o transporte de “animais vivos inofensivos que não requerem água ou comida durante o envio”, “crianças claramente não se encaixam nesta classificação”.
Mas, como a prática se sustentava em funcionários abrindo exceções às regras, algumas crianças ainda foram despachadas como encomendas mesmo depois da proibição. Entre os casos, estão:
- Um menino de idade desconhecida, transportado por 40 quilômetros entre Stratford (Oklahoma) e Wellington (Kansas) por 18 centavos, com uma etiqueta em volta do pescoço;
- Edna Neff, 6, enviada de Pensacola, Flórida para a casa do pai em Christianberg, Virgínia, a 1.158 quilômetros de distância;
- Maud Smith, enviada pelos avós para visitar sua mãe doente a 64 quilômetros de distância, com endereço e selos pregados no vestido; esta teria sido a última viagem de uma criança por correio noticiada nos jornais.

