As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, podem ter impactos diretos sobre a economia brasileira, influenciando a cotação do dólar e as expectativas para os juros no país. O analista de Economia da CNN Gabriel Monteiro explica o tema ao CNN 360°.
A possibilidade de os democratas conquistarem o controle do Congresso americano coloca em discussão os efeitos do resultado eleitoral sobre os mercados financeiros.
De acordo com Gabriel Monteiro, um cenário em que os democratas assumam a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado norte-americano poderia gerar pressão política sobre o presidente americano, Donald Trump, para aplicar sua agenda econômica.
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“Pode ser que sim, principalmente por conta dessa pressão política que Donald Trump pode sofrer para aplicar a sua agenda”, afirmou Monteiro.
Atualmente, o que se observa é um cenário de domínio republicano nas duas casas legislativas.
Guerra e petróleo como fatores de influência
Em um cenário de controle democrata no Congresso, Monteiro avalia que poderia haver pressão para reduzir o financiamento do conflito contra o Irã.
Caso Donald Trump encontre dificuldades para aprovar mais recursos destinados à manutenção da guerra, o conflito poderia se mitigar.
“A queda do petróleo pode favorecer queda de juros nos Estados Unidos ou mesmo queda de juros aqui no Brasil”, explicou o analista, acrescentando que esse movimento poderia abrir caminho para uma política monetária mais branda em boa parte do mundo.
Dívida americana e agenda econômica de Trump
Outro fator de pressão sobre os juros norte-americanos diz respeito às contas públicas dos Estados Unidos.
Segundo Monteiro, as taxas de juros futuros do financiamento do Tesouro norte-americano, de 10 e de 30 anos, estão no maior patamar desde 2002 — ou seja, há 24 anos os juros não eram tão elevados para o financiamento da dívida pública americana.
O déficit americano está em cerca de 5% do PIB, e a dívida norte-americana atingiu US$ 40 trilhões, tendo dobrado em dez anos, em parte por conta da pandemia, mas também pelo desarranjo fiscal das contas públicas.
Monteiro destacou ainda que Donald Trump estuda novos cortes de impostos e projetos de distribuição de renda, como um cheque de US$ 5 mil para cada adulto nos Estados Unidos.
“Só de termos esta resistência na Câmara e no Senado, pode ser que Donald Trump tenha mais dificuldade para aplicar esta agenda econômica, o que traria expectativas melhores do mercado financeiro, eventualmente juros futuros mais baixos, que poderiam nos afetar também”, pontuou o analista.
Brasil também depende da própria política fiscal
Apesar dos possíveis reflexos externos, Monteiro ressaltou que o comportamento do dólar no Brasil não depende exclusivamente do que ocorre nos Estados Unidos.
“Mais forte do que essas expectativas norte-americanas é o que vai acontecer com a nossa política fiscal por aqui, o que vai acontecer com a nossa economia, que está dando sinais de desaceleração para o ano que vem”, afirmou.
Segundo ele, o dólar também responde ao que o Brasil faz internamente, sendo fundamental que o país mantenha sua própria lição de casa em ordem.

