O El Niño, fenômeno climático marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e apontado por especialistas como um dos mais intensos da história, vai além dos impactos ambientais e climáticos globais. Entre as mais diversas consequências, ele afeta a saúde da pele humana.
A combinação de elevadas temperaturas, variação brusca de umidade e índices altíssimos de radiação ultravioleta coloca a barreira da proteção cutânea sob constante estresse inflamatório.
Conforme explica a médica especialista em pele Iris Markuz, as oscilações extremas de temperatura agridem diretamente a camada mais externa do tecido cutâneo, responsável por reter água e proteger o organismo.
“A amplitude térmica faz com que o corpo seja forçado a gastar mais energia para se adaptar à nova temperatura, gerando estresse celular e inflamações”, explica em entrevista à CNN Brasil.
Segundo a profissional, os primeiros sinais de alerta de que a pele está sofrendo surgem em forma de “ardência, vermelhidão, coceiras, desidratação e descamação”.
Gatilhos para condições dermatológicas
Para quem já tem predisposição a problemas na pele, as mudanças climáticas provocadas pelo El Niño funcionam como um estopim para novas crises.
Também à CNN Brasil, a dermatologista Ligia Novais, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), destaca que o aumento da temperatura, o suor e a exposição solar atuam como verdadeiros gatilhos.
“No caso da dermatite seborreica, o calor e o suor podem aumentar a coceira, a descamação e a vermelhidão. Quando se trata de rosácea, o aumento de temperatura pode desencadear ardor e sensação de rosto quente, além da vermelhidão”, pontua.
A lista de condições afetadas pelo clima severo inclui ainda outras manifestações:
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Acne: A associação entre suor, atrito, oleosidade e a oclusão dos poros favorece o aparecimento de lesões.
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Melasma: As manchas são agravadas por dois fatores centrais: a luz visível do sol e a radiação ultravioleta.
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Dermatite atópica e psoríase: A baixa umidade do ar e o clima seco favorecem o ressecamento rigoroso e a coceira.
O desafio do ar seco e o “efeito rebote”
Em regiões onde o fenômeno provoca calor extremo e estiagem, um dos problemas mais comuns é o “efeito rebote”, ou seja, quando a pele tenta se defender do ressecamento produzindo ainda mais óleo.
“O ar seco retira a umidade da pele e faz com que as glândulas sebáceas compensem produzindo mais sebo, causando assim a oleosidade”, explica Ligia Novais.
Para driblar esse desequilíbrio sem agredir o rosto, a dermatologista orienta focar na preservação da barreira cutânea. “Invista em sabonetes ou géis de limpeza suave com pH fisiológico, produtos em gel ou com texturas ultra leves, oil-free ou de toque seco e que tenham niacinamida, ceramidas, pré-bióticos e ácido hialurônico”.
Protetor solar e hábitos perigosos no calor
Com a radiação UV em níveis elevados, o protetor solar segue sendo o principal aliado, mas seu uso exige mais atenção. Ligia esclarece que a reaplicação deve ser mais frequente e o produto precisa ter proteção contra raios UVA e UVB.
“O recomendado é, em picos de alta radiação ou exposição direta, reaplicar a cada duas horas. Mas, se o suor for excessivo devido à transpiração ou se entrar na água, a reaplicação deve ser imediata”, comenta.
Ela lembra também que o produto leva de 15 a 30 minutos para ser absorvido antes da exposição ao sol, e reforça a importância dos rótulos. “O FPS tradicional (mínimo fator 30) é indicado contra os raios UVB, que são responsáveis por queimaduras e vermelhidão. Já os que têm também PPD/FPUVA protegem contra o principal responsável pelo envelhecimento precoce e manchas, que é o UVA”.
Diante do desconforto do calor, práticas como lavar o rosto em excesso, fazer esfoliações frequentes ou usar ácidos de forma inadequada costumam danificar ainda mais a pele. Para Markuz, um dos erros mais graves é a falta de reposição do filtro solar e o hábito de suspender o hidratante ao notar o rosto oleoso.
“Oleosidade não significa que a pele está hidratada o suficiente e mesmo no calor a pele pode ficar ressecada. Aposte em hidratantes de textura leve e que tenham componentes compatíveis com o seu tipo de pele”, pondera.
Dicas extras
Para enfrentar as variações de temperatura impostas pelo El Niño sem comprometer a saúde da pele, as duas especialistas coincidem no principal conselho: evitar excessos e manter a constância nos cuidados.
“É importante manter o tratamento mesmo quando há a melhora da pele como prevenção”, ressalta Ligia. Já Iris aconselha evitar excessos. “Faça uma limpeza suave, hidrate e proteja a pele, e lembre-se sempre de consultar um médico”.
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