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Midterms: veja o que esperar das eleições de meio de mandato

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Midterms: veja o que esperar das eleições de meio de mandato

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos começam na terça-feira (3), com americanos sendo convocados a renovar toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado.

O pleito é amplamente interpretado como um termômetro da administração de Donald Trump, que tem percorrido o país em comícios para tentar garantir a manutenção da maioria republicana no Congresso.

Segundo o analista sênior de Internacional, Américo Martins, ao CNN Novo Dia, a intensa participação de Trump na campanha revela a preocupação do Partido Republicano com os possíveis resultados.

“Essas eleições estão sendo encaradas por muita gente, por muitos eleitores, como uma espécie de referendo sobre a administração do presidente Donald Trump”, afirmou Martins.

O que está em disputa

São 435 cadeiras na Câmara dos Representantes e 35 assentos no Senado. As eleições de meio de mandato — chamadas em inglês de “midterms” — definem a composição do Congresso para a segunda metade do mandato presidencial de quatro anos, além de cargos locais.

“Quanto mais insatisfeita a população, mais a oposição tende a conquistar espaço”, destacou a correspondente da CNN Mariana Janjácomo.

Para entender o funcionamento do sistema, é preciso saber que os 50 estados americanos são representados por dois senadores cada, com mandatos de seis anos renováveis indefinidamente.

A cada dois anos, um terço desses assentos entra em disputa. Já na Câmara dos Representantes, cada estado é dividido em distritos — 435 no total —, cada um representado por um deputado com mandato de dois anos.

Quanto maior a população do estado, maior o número de distritos e, consequentemente, de deputados. A Califórnia, o estado mais populoso do país, conta com 52 representantes.

Riscos para a governabilidade de Trump

Atualmente, os republicanos detêm a maioria em ambas as casas do Congresso. Contudo, as pesquisas de opinião apontam uma grande possibilidade de os democratas assumirem o controle da Câmara dos Representantes e, em menor grau, também do Senado.

De acordo com Américo Martins, caso isso ocorra, os democratas poderão bloquear políticas de Trump, abrir investigações sobre sua gestão e até discutir um processo de impeachment na Câmara.

“Os democratas poderão, em primeiro lugar, bloquear muito as políticas do presidente Donald Trump; em segundo lugar, abrir investigações contra o presidente, o que preocupa muito a Casa Branca”, disse Martins.

Entre os temas passíveis de investigação, Américo citou a decisão de Trump de entrar em conflito com o Irã sem autorização do Congresso, políticas de imigração consideradas excessivas e suspeitas de enriquecimento por parte de membros da família Trump e do próprio presidente.

“Apenas no primeiro ano, Trump ficou US$ 2 bilhões mais rico, segundo a própria Casa Branca. Os democratas prometem investigar”, afirmou o analista. No Senado, uma eventual maioria democrata poderia ainda bloquear nomeações presidenciais para o sistema judicial e para agências reguladoras.

Custo de vida e o fator decisivo

O principal fator que tem impulsionado os eleitores em direção aos democratas, segundo o correspondente, é o custo de vida.

“É o grande problema nos Estados Unidos, especialmente depois do início da guerra no Irã. Os americanos sentem o aumento dos preços, especialmente a questão do combustível, que tem uma implicação na economia inteira”, explicou o analista.

Ele destacou ainda que Trump enfrenta dificuldades para eleger candidatos republicanos mesmo em estados onde venceu as eleições presidenciais com ampla margem há apenas dois anos.

Gerrymandering e votação pelo Correio

Duas polêmicas marcaram este ciclo eleitoral. A primeira é o chamado “gerrymandering” — a manipulação dos mapas de distritos eleitorais para favorecer um partido. O termo surgiu da junção do nome do político Elbridge Gerry, o primeiro a usar a estratégia, com a palavra “salamander” (salamandra, em inglês), devido ao formato inusitado do distrito que ele criou.

Neste ano, sete estados aprovaram novos mapas que tendem a favorecer os republicanos, enquanto dois têm mapas pró-democratas.

A segunda polêmica envolve o voto pelo correio, modalidade cada vez mais popular nos Estados Unidos. Trump alega, sem apresentar evidências, que essa forma de votação facilita fraudes eleitorais — embora ele próprio costume votar pelo correio.

O dia oficial de votação é 3 de novembro, mas o pleito já teve início em vários estados por meio do sistema de votação antecipada. Em um país onde o voto não é obrigatório, a questão central é se todas essas controvérsias terão impacto no comparecimento às urnas.

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