Em entrevista a Rede Globo, o deputado federal André Janones (Rede-MG) elogiou o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirmando que, apesar de não ser um “companheiro político”, por estarem em lados opostos do espectro político, o considera “um amigo”.
A avaliação é da analista de Política da CNN Edilene Lopes. Janones, que também é deputado federal por Minas Gerais, negou ter contatos na direita no Minas Gerais, mas fez uma exceção ao mencionar Cleitinho.
Segundo Janones, Cleitinho está se propondo a fazer a pacificação de que o país precisa para superar a polarização política.
O deputado afirmou ainda que Cleitinho “fala a língua do povo” e disse acreditar que ele irá realizar uma boa gestão para os mineiros.
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Análise política
Edilene Lopes avaliou que o sinal de Cleitinho foi claro antes e depois das eleições.
“Ele disse que queria a pacificação e que governaria, caso fosse eleito, tanto para a esquerda quanto para a direita”, afirmou Edilene.
Segundo ela, Cleitinho deve cumprir a sua palavra, e Janones sabe disso.
A analista também destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia feito um pedido a Cleitinho para que ele não atrapalhasse as eleições em Minas, o que significaria não fazer campanha para Flávio Bolsonaro.
Cleitinho fez essa campanha, assim como Nikolas Ferreira (PL-MG), o que, segundo Edilene, não foi suficiente para barrar o avanço de Lula, que ultrapassou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Minas Gerais do primeiro para o segundo turno — movimento descrito pela analista como raro.
Edilene atribuiu parte desse resultado à mobilização digital promovida por Janones.
“Com a mobilização digital que antes o Partido dos Trabalhadores não fazia, ele conseguiu diminuir a abstenção no Estado”, explicou.
Segundo ela, pessoas da rede de Janones conseguiram levar mais eleitores às urnas, o que teria dado o volume de votos necessário para a virada.
“Então o que Janones faz é um aceno para o governo de Cleitinho, que sabe que terá que lidar com Lula e vai fazer isso, segundo ele, da melhor forma possível”, analisou Edilene.
Silêncio estratégico de Cleitinho
A analista chamou atenção para o fato de que Cleitinho ainda não se pronunciou sobre entrar em contato ou se reunir com Lula no pós-eleições.
Para Edilene, trata-se de uma estratégia deliberada.
“Eu conversei com interlocutores do Cleitinho, que disseram que nesse momento ele prefere o silêncio, até porque a base de Flávio Bolsonaro, para quem ele fez campanha, está muito aquecida e qualquer pronunciamento do Cleitinho nesse momento poderia se voltar contra ele mesmo”, relatou.
Edilene mencionou ainda que o irmão de Cleitinho, Gleidson Azevedo (Republicanos), eleito deputado federal, também tem enfrentado críticas da base bolsonarista após dar uma entrevista criticando boicotes a pessoas que votaram na esquerda e a funcionários que estariam sendo demitidos por isso.
Com esse cenário, segundo a analista, Cleitinho está “pisando em ovos”, mas deve, no ano seguinte ou mais para o final do ano, retomar o contato com Lula conforme prometido durante a campanha.
Nesse contexto, Janones já antecipa esse movimento ao fazer um aceno positivo ao futuro governo de Minas.

