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Campeão da F1, Antonelli tem trajetória marcada por coincidências com Senna

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Campeão da F1, Antonelli tem trajetória marcada por coincidências com Senna

Ayrton Senna e Andrea Kimi Antonelli estão separados por mais de quatro décadas, mas têm histórias que se cruzam em diferentes momentos da Fórmula 1. Neste domingo (1º), o italiano escreveu seu nome na história do automobilismo ao conquistar o título mundial de 2026, aos 20 anos e 68 dias, e se tornou o campeão mais jovem de todos os tempos na categoria.

A conquista também colocou em evidência uma relação que vai além das comparações esportivas. Fã declarado de Senna, Antonelli cresceu assistindo a vídeos e gravações das corridas do brasileiro, adotou o número 12 como homenagem ao ídolo e já protagonizou diferentes tributos ao tricampeão mundial.

As semelhanças entre os dois, porém, não estão restritas à admiração. Os resultados na temporada de estreia, o desempenho em corridas disputadas sob chuva, o momento da primeira vitória e até os triunfos em circuitos tradicionais aparecem entre as coincidências das trajetórias.

Por que Antonelli usa o número 12 de Senna?

A escolha do número 12 é uma das homenagens mais claras de Antonelli ao brasileiro. O italiano utiliza a identificação desde as primeiras experiências em monopostos e decidiu mantê-la quando chegou à Mercedes, em 2025.

Em entrevista publicada pela própria equipe alemã, Kimi explicou que a inspiração veio dos vídeos das temporadas antigas da Fórmula 1 que assistia durante a infância. Senna chamou sua atenção pelas atuações nas pistas e também pela personalidade fora delas.

O número 12 marcou uma fase importante da carreira do brasileiro. Senna utilizou a identificação pela Lotus entre 1985 e 1987 e também na McLaren, em 1988, quando conquistou seu primeiro título mundial.

A homenagem de Antonelli não ficou restrita à numeração. Em 2025, o italiano utilizou um capacete especial com o nome de Senna durante o GP de Ímola, disputado no circuito onde o brasileiro sofreu o acidente fatal em 1994.

Naquele mesmo ano, durante sua passagem pelo Brasil para o GP de São Paulo, Antonelli visitou o túmulo do tricampeão no Cemitério do Morumbi. Depois de conquistar o segundo lugar em Interlagos, ainda presenteou o acervo da família Senna com o capacete utilizado na corrida.

Kimi Antonelli visitou túmulo de Senna em cemitério no bairro do Morumbi, São Paulo
Kimi Antonelli visitou túmulo de Senna em cemitério no bairro do Morumbi, São Paulo • Reprodução/Instagram/@kimi.antonelli

Três pódios na temporada de estreia

Uma das coincidências mais interessantes aparece nos primeiros resultados dos dois pilotos na Fórmula 1. Tanto Senna quanto Antonelli terminaram suas temporadas de estreia com três pódios, mesmo defendendo equipes que não estavam entre as principais forças do campeonato.

Em 1984, Senna competiu pela Toleman e conseguiu subir ao pódio nos GPs de Mônaco, da Grã-Bretanha e de Portugal. O brasileiro terminou o Mundial na nona colocação, com 13 pontos.

Quarenta e um anos depois, Antonelli repetiu a marca pela Mercedes. O italiano conquistou o terceiro lugar no Canadá, terminou em segundo no GP de São Paulo e voltou ao pódio em Las Vegas, após uma punição aos pilotos da McLaren.

Os dois também tiveram atuações de destaque em condições adversas logo no início de suas carreiras. No GP de Mônaco de 1984, Senna saiu da 13ª posição e terminou em segundo, em uma prova marcada pela chuva.

Na Austrália, em 2025, Antonelli também chamou atenção ao sair do 16º lugar e terminar em quarto, em uma corrida disputada sob condições de pista molhada. Os resultados ajudaram a construir a reputação dos dois como pilotos capazes de encontrar oportunidades mesmo em cenários desfavoráveis.

Primeira vitória aconteceu na segunda temporada

Outra coincidência está no momento em que os dois conquistaram a primeira vitória na principal categoria do automobilismo.

Senna precisou esperar até 1985, seu segundo campeonato na F1, para vencer pela primeira vez. O brasileiro conquistou o resultado no GP de Portugal, em Estoril, pela Lotus. Além de largar na pole position, dominou a prova disputada sob chuva intensa e cruzou a linha de chegada com mais de um minuto de vantagem para o segundo colocado.

Antonelli seguiu um caminho semelhante. Depois de estrear em 2025, o italiano conquistou sua primeira vitória na segunda temporada, no GP da China de 2026. Também largou na pole position e confirmou o triunfo em Xangai, aos 19 anos.

A coincidência ficou ainda mais evidente na corrida seguinte. Senna voltou a conquistar a pole no GP de San Marino de 1985, enquanto Antonelli repetiu o feito no GP do Japão de 2026.

Senna e Antonelli venceram pela primeira vez em Mônaco

O tradicional circuito de Monte Carlo também aparece nas duas trajetórias. Senna conquistou sua primeira vitória no GP de Mônaco em 1987, quando defendia a Lotus. A partir dali, construiu uma relação histórica com o traçado, no qual venceu seis vezes ao longo da carreira.

Antonelli também chegou ao topo do pódio no principado em 2026. O italiano venceu a prova largando na pole position, liderou todas as voltas e ainda registrou a melhor volta da corrida.

O resultado foi ainda mais expressivo porque o piloto conquistou um Grand Chelem, feito que reúne pole position, vitória, volta mais rápida e liderança de ponta a ponta. Aos 19 anos, tornou-se o mais jovem da história a alcançar a marca.

A vitória também teve um significado especial pelo contraste com a temporada anterior. Em 2025, Antonelli havia terminado o GP de Mônaco na 18ª posição, enquanto um ano depois transformou o mesmo circuito em palco de uma das principais conquistas de sua carreira.

Vitórias em casa também aproximam os pilotos

As conquistas diante das respectivas torcidas representam outro ponto de conexão. Senna venceu pela primeira vez o GP do Brasil em 1991, em uma das corridas mais emblemáticas de sua trajetória.

Em Interlagos, o brasileiro enfrentou problemas no câmbio nas voltas finais e precisou conduzir sua McLaren praticamente sem opções de marcha. Mesmo com as dificuldades, conseguiu completar a prova em primeiro lugar e celebrou uma vitória aguardada pelos torcedores brasileiros.

Antonelli também viveu um momento especial em seu país em 2026. No GP da Itália, em Monza, o piloto da Mercedes largou na 19ª posição, após uma punição pela troca de componentes da unidade de potência, e protagonizou uma recuperação impressionante.

O italiano ultrapassou o companheiro George Russell nas voltas finais e conquistou a vitória diante da torcida local. Foi o primeiro triunfo de um piloto italiano em Monza desde 1966.

Qual é a principal diferença entre Senna e Antonelli?

Apesar das coincidências, os caminhos percorridos pelos dois até a conquista do primeiro título mundial foram bastante diferentes.

Senna estreou na Fórmula 1 em 1984, pela Toleman, e precisou de quatro temporadas completas para conquistar seu primeiro campeonato. O brasileiro levantou o troféu em 1988, quando defendia a McLaren, aos 28 anos e 223 dias.

Antonelli teve uma ascensão muito mais rápida. Depois de chegar à Mercedes em 2025, o italiano conquistou o título já em seu segundo campeonato, aos 20 anos e 68 dias, superando o recorde de Sebastian Vettel, que havia sido campeão aos 23 anos e 134 dias.

O brasileiro terminou a carreira com três títulos mundiais, 41 vitórias e 65 pole positions. Antonelli, por sua vez, acaba de iniciar sua trajetória entre os campeões da categoria e ainda tem muitos anos pela frente.

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