O fenômeno El Niño vem alterando significativamente o padrão de chuvas e temperaturas no Brasil. Para o mês de novembro, a previsão aponta para uma redução expressiva das precipitações na região Centro-Norte do país, enquanto o Sul deve registrar volumes de chuva acima da média histórica.
Segundo o analista de clima e meio ambiente, Pedro Côrtes, o ápice do El Niño está previsto para ocorrer entre novembro e dezembro, período em que o fenômeno deve atingir a temperatura máxima no Oceano Pacífico.
“Em São Paulo era para a gente estar com calor mais intenso, com as chuvas começando agora, mas não, elas já vieram faz um tempo. O El Niño mudou esse padrão e a tendência é que mude mais ainda“, afirmou Côrtes durante o Live CNN desta segunda-feira (2).
Distribuição regional das chuvas
De acordo com Côrtes, o Sul do Brasil deve registrar aumento das chuvas em relação à média, com extensão para São Paulo, Mato Grosso do Sul, região da Zona da Mata em Minas Gerais, Rio de Janeiro e parte do Espírito Santo.
O oeste de Santa Catarina e o oeste do Paraná devem ser as sub-regiões mais afetadas, com precipitações ainda mais intensas. Na região central do país, o comportamento deve se manter próximo à média histórica.
Já na região Centro-Norte, a tendência é de redução significativa das chuvas. O Nordeste deve permanecer dentro dos parâmetros históricos.
“O que chama muito a atenção, além da chuva no Sul, é a estiagem prolongada e intensa na região Centro-Norte, que afeta a agricultura e também a geração de energia elétrica, por menor disponibilidade de água nas usinas hidrelétricas”, alertou Côrtes.
Risco de queimadas na Amazônia
A combinação de menos chuva e temperaturas mais elevadas na região Norte cria condições propícias para o aumento das queimadas. Segundo Côrtes, a floresta amazônica passa a ter uma redução significativa de umidade nesse cenário, o que facilita a propagação de focos de incêndio.
“Isso dificulta também o combate ao incêndio pela baixa disponibilidade de água e também pela dificuldade de locomoção, tendo em vista que a locomoção se dá principalmente pelos igarapés que estão com nível muito baixo na região norte do país”, explicou.
Em relação às temperaturas, o Sul e parte do Sudeste devem registrar valores mais baixos, enquanto a metade norte do país, com destaque para o Nordeste e a região central do Norte, deve enfrentar calor acima da média.
Alerta sobre derretimento de geleiras
Côrtes também comentou um novo relatório elaborado por 80 cientistas que alerta para o risco de perdas irreversíveis de gelo no planeta. Segundo ele, o degelo das geleiras contribui diretamente para a elevação do nível dos oceanos, aumentando o poder de erosão costeira.
“Isso tem se verificado na costa brasileira, por exemplo, mas não só no Brasil, em vários locais do mundo”, afirmou.
Côrtes citou o caso de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, em que houve redução significativa da faixa de areia, exigindo tentativas de recomposição.
Ele também mencionou que uma geleira próxima à Estação Brasileira na Antártida vem diminuindo ao longo das últimas décadas. “Infelizmente, várias geleiras têm apresentado esse tipo de comportamento, que é um diagnóstico importante do aquecimento que vem sofrendo o planeta”, ressaltou.
O especialista alertou ainda que, à medida que os oceanos ficam mais quentes, aumenta a energia disponível na atmosfera, fazendo com que os eventos climáticos ocorram com muito maior intensidade.

