⚡ Últimas

Super El Niño deve causar mais de 850 mil mortes no mundo e 19 mil no Brasil até março, diz estudo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Super El Niño deve causar mais de 850 mil mortes no mundo e 19 mil no Brasil até março, diz estudo

O fenômeno climático El Niño deve causar 857.400 mortes adicionais ao redor do mundo até março de 2026 segundo estudo do painel Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago. No Brasil, os óbitos nos próximos seis meses devem chegar a 19.500.

Os pesquisadores apontam que entre junho e setembro de 2026 o Super El Niño já ocasionou a morte de 484.500 pessoas no mundo devido ao calor acima do normal que o fenômeno causou.

Nos próximos seis meses mais 372.900 mortes devem ocorrer, com destaque para a Índia e Nigéria. O país asiático deve sofrer com a perda de 55 mil vidas até março, totalizando 160 mil óbitos. Já o país africano deve registrar o maior número nos próximos seis meses, com 56.100 vítimas adicionais, totalizando 69.700 desde junho.

O estudo calcula como “mortes adicionais” aquelas que excederiam o número esperado para os mesmos meses em um ano considerado normal, comparando as médias esperadas entre 1996 e 2025. Ela é portanto uma projeção de mortalidade e não uma contagem de mortes que já ocorreram.

Impactos no Brasil

Em quarto lugar entre os países que mais devem ter mortes adicionais causadas pelo El Niño está o Brasil, com uma estimativa de 26.700 mortes até março, sendo 19.500 previstas apenas para os próximos seis meses.

O estado com o maior número deve ser o Pará, com 3.800 mortes previstas até março, superando as mortes esperadas em países como Venezuela (3.600) e Colômbia (3.300).

Em seguida aparecem os estados do Maranhão (2.800), Amazonas (2.200) e Bahia (2.100) no acumulado de 10 meses de incidência do El Niño. A universidade alerta que o número ficará acima da média a cada mês no país.

Veja lista dos países com mais mortes esperadas:

print
Estimativas correspondme as mortes adicionais causadas pelo calor entre junho de 2026 e março de 2027 • Reprodução/Climate Impact Lab

Chama a atenção dos pesquisadores que os maiores países poluentes, China e Estados Unidos, além de países desenvolvidos aparecem no fim da lista, apesar de serem os que consequentemente mais contribuem para as mudanças climáticas.

Alertas sobre um El Niño sem precedentes

O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano pacífico equatorial e acontece de forma cíclica em um intervalo de 2 a 7 anos e de maneira intercalada com períodos neutros e sob o efeito do La Niña, o resfriamento acima da média das águas.

Porém, a OMM (Organização Meteorológica Mundial) alertou no último dia 21 que o El Niño atual deve ser um fenômeno sem precedentes e um dos mais fortes da história, com expectativa de deve atingir o seu pico ainda este ano.

Seus principais efeitos acontecem na América do Sul e Central, segundo a OMM. No Brasil, os mais severos são especialmente chuvas intensas na região Sul e secas prolongadas no Norte e Nordeste.

Ainda de acordo com a agência da ONU (Organização das Nações Unidas), o El Niño deve durar até pelo menos fevereiro do ano que vem, mas os seus efeitos vão ser sentidos por muito mais tempo e vão se espalhar cada vez mais.

Consequências do El Niño na população

Nesse sentido, segundo levantamento da Lancet Countdown, iniciativa internacional que monitora as mudanças climáticas e a saúde mundial, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados.

“Agora, um El Niño severo ameaça agravar os impactos das mudanças climáticas e desencadear crises humanitárias climáticas sem precedentes no mundo todo. Devido às ameaças crescentes na última década, as mudanças climáticas se tornaram uma emergência global de saúde. Enfrentá-la exige correção urgente de rumo para promover ações coordenadas e baseadas em evidências através das fronteiras, a fim de proteger a saúde e a sobrevivência”, aponta o relatório.

Além das mortes por desidratação e insegurança alimentar, o aumento das temperaturas favorece a transmissão de doenças como a dengue, visto que o mosquito Aedes aegypti (vetor responsável pelo vírus) se reproduz em ambientes mais quentes e úmidos.

Emissões precisam diminuir

Cientistas alertam que o El Niño atual foi intensificado por conta das mudanças climáticas, ocasionadas principalmente pela emissão de CO2 (gás carbônico) na atmosfera. Os maiores responsáveis por isso são a queima de combustíveis fósseis para produção de energia e desmatamento segundo a ONU.

Segundo a organização, o aumento da temperatura contribui para o desequilíbrio de estações climáticas e aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas, tornados e chuvas torrenciais.

Nesse sentido, em 2015 foi assinado em 2015 o Acordo de Paris, que tem como meta a redução das emissões de gases do efeito estufa para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima do período pré-industrial. Porém, previsões meteorológicas indicam que esse nível crítico de 1,5 °C deve ser atingido já em 2030, e para tentar evitar esse cenário, a ONU indica que são necessários cortes de 18% nas emissões até 2030 e 45% até 2035, bem como a ampliação contínua da remoção de gás carbônico ao longo do século.

*Sob supervisão de Manuella Dal Mas

Mortes, incêndios e secas: tempestades de calor atingem 85% do planeta

Super El Niño deve causar mais de 850 mil mortes no mundo e 19 mil no Brasil até março, diz estudo — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado