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Fifa fatura R$ 28 bilhões com ingressos da Copa de 2026, diz jornal

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

A FIFA arrecadou US$ 5 bilhões (cerca de R$ 28 bilhões) com a venda de ingressos e pacotes de hospitalidade para a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. O valor foi revelado pelo jornal britânico The Times, em reportagem publicada nesta quinta-feira (29), e representa um recorde histórico para a competição.

A receita supera em mais de cinco vezes o montante registrado na edição de 2022, no Catar, quando a entidade arrecadou aproximadamente US$ 940 milhões com a comercialização de entradas. Na Rússia, em 2018, foram US$ 689 milhões, enquanto a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, gerou US$ 527 milhões em bilheteria.

Um dos fatores apontados para o crescimento foi a adoção do modelo de precificação dinâmica, que permite alterar os valores dos ingressos de acordo com a procura. A estratégia, já utilizada em grandes eventos musicais e ligas esportivas dos Estados Unidos, como NFL e NBA, foi aplicada pela FIFA na comercialização das entradas para o Mundial.

Para Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataforma de gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, o modelo pode trazer benefícios tanto para organizadores quanto para torcedores, desde que acompanhado de mudanças no funcionamento do mercado de revenda.

“Percebemos como uma tendência cada vez maior a adoção do preço dinâmico na venda de ingressos. Embora exista um mito de que o preço dinâmico e o mercado secundário apenas tornam as entradas mais caras, muitas vezes pode acontecer justamente o oposto. A precificação dinâmica pode inclusive ajudar a corrigir os casos em que uma entidade ou clube erra no preço e o público no estádio acaba sendo aquém do esperado. Já o mercado secundário pode resolver problemas como a presença de assentos vazios mesmo quando os ingressos se esgotaram mas ainda há demanda, além de permitir, por exemplo, que determinada pessoa que comprou os ingressos e não poderá mais comparecer possa transferi-los”, explica o executivo que, no entanto, faz uma ressalva. “Mas, para que tudo isso ocorra, é necessário que haja uma reorganização da indústria, o que inclui liberar o mercado secundário e atacar o cambismo”.

Como funciona o preço dinâmico dos ingressos?

Diferentemente de um sistema tradicional, no qual os valores são definidos previamente e permanecem fixos, a precificação dinâmica utiliza algoritmos para acompanhar a procura por cada partida e ajustar os preços ao longo do período de vendas.

Assim, confrontos com maior interesse do público, especialmente jogos de seleções populares e decisões de mata-mata, podem apresentar aumentos expressivos nos valores em pouco tempo.

A estratégia também acompanha uma transformação no mercado esportivo norte-americano, que passou a explorar diferentes formatos de comercialização e experiências para o público.

Para Joaquim Lo Prete, general manager da Absolut Sport no Brasil, o crescimento do futebol nos Estados Unidos contribuiu para ampliar as oportunidades comerciais em torno da competição.

“Os EUA agora vivem uma crescente na valorização do futebol, em parte impulsionada por eventos de grande porte. É uma agenda que não apenas atrai atenção internacional, mas também catalisa investimentos em infraestrutura, mídia e publicidade, além de criar diversas oportunidades de negócio para o mercado, como a hospitalidade e o oferecimento de um serviço premium para os torcedores”, pontua.

A FIFA defendeu o modelo como uma ferramenta para combater o mercado ilegal de ingressos. Com a possibilidade de ajustar os valores e controlar a comercialização, a entidade busca reter parte da receita que, em outros cenários, poderia acabar nas mãos de cambistas e revendedores do mercado paralelo.

“O sistema de precificação dinâmica é bastante utilizado no exterior para eventos esportivos e de entretenimento. Com o sucesso desse modelo na Copa do Mundo, que é a maior competição de futebol do planeta, o método deve começar a ser testado no Brasil em breve. Porém, é muito importante que os organizadores dos grandes espetáculos esportivos estejam atentos às características específicas da nossa cultura de estádio e do nosso modo de torcer”, avalia Pedro Weber, sócio da Chenus, empresa especializada em investimentos no esporte.

Copa de 2026 também bate recorde de público

O resultado financeiro foi impulsionado também pelo tamanho da competição. A edição de 2026 foi a primeira com 48 seleções e 104 partidas, ampliando consideravelmente a oferta de ingressos em comparação aos 64 jogos dos Mundiais anteriores.

A estrutura dos estádios norte-americanos também teve papel importante. Muitas arenas possuem capacidade superior a 70 mil espectadores e oferecem diferentes categorias de serviços, incluindo espaços corporativos e experiências premium.

Mesmo com críticas de torcedores aos preços elevados, especialmente nas categorias mais acessíveis, a procura permaneceu alta. Ao longo das 104 partidas, a Copa registrou 6.810.966 espectadores, com taxa média de ocupação de 99,73%, estabelecendo outro recorde histórico.

“Os números mostram que em eventos de grande apelo, a percepção de valor muitas vezes supera a sensibilidade ao preço. Mesmo diante de ingressos mais caros, a demanda permaneceu extremamente elevada, o que demonstra a força do produto Copa do Mundo e a capacidade do mercado de absorver estratégias mais sofisticadas de precificação”, pontua Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol.

O Estádio Azteca, na Cidade do México, registrou a maior média de público do torneio, com aproximadamente 80,8 mil torcedores por partida. A arena recebeu cinco jogos e operou com capacidade máxima em todos eles.

Já a decisão no MetLife Stadium, em Nova Jersey, contou com 80.663 espectadores nas arquibancadas.

“Esses números retratam um marco significativo e mostram o poder de mobilização que tem o futebol, em especial em um momento tão importante como a Copa do Mundo. Dentro desse contexto, é fundamental otimizar a conexão com os torcedores, ao impulsionar, por exemplo, as experiências desde a compra do ingresso ao período no estádio. Um dos atrativos desta edição da Copa do Mundo que cito nesse sentido foi o lançamento do Fan ID, que amplia a experiência dos portadores de ingressos também para o ambiente digital”, destaca Tironi Paz Ortiz, CEO da Imply ElevenTickets, empresa que oferece tecnologias e serviços para clubes e eventos.

Hospitalidade amplia receitas da Copa do Mundo

Além da comercialização de ingressos convencionais, os pacotes de hospitalidade tiveram participação importante no resultado financeiro. Os camarotes corporativos e espaços exclusivos passaram a oferecer atrações que vão além da partida, com serviços diferenciados de gastronomia, barbearia e outras experiências para os torcedores.

A proposta é atrair não apenas quem acompanha futebol regularmente, mas também consumidores interessados em entretenimento, conforto e serviços exclusivos.

“Os números mostram que o torcedor não busca apenas assistir ao jogo, mas viver uma experiência completa. O público está disposto a investir em conforto, serviços diferenciados e momentos exclusivos. O futebol continua sendo o grande atrativo, mas a experiência ao redor do evento se tornou um fator decisivo para muitos fãs”, afirma Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality, empresa especializada em ambientes premiums, que possui camarotes em dez estádios brasileiros.

O alcance internacional do torneio também foi destacado por Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana comandada pelo cantor Jay-Z e responsável pela gestão da carreira de centenas de atletas.

“Nenhum país do mundo recebeu tantas pessoas, de tantos países diferentes, desde a sua independência, e não seria diferente no maior evento esportivo do mundo. Mostrou mais uma vez mostrar que nenhum país pode acolher tantos, se tantos lugares, quanto eles”, analisa.

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