Hackers invadiram o sistema da Binance na quinta-feira (29) e roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas, registrando o maior roubo de ativos da história.
Segundo uma pesquisa realizada pela LP Crypto – Consultoria de Investimentos, em parceria com o Genesis Club, outros dez casos também marcaram o mercado. São eles:
- Bybit (2025): US$ 1,50 bilhão
- Ronin (2022): US$ 620 milhões
- Poly Network (2021): US$ 610 milhões
- BSC Token Hub (2022): US$ 570 milhões
- Coincheck (2018): US$ 530 milhões
- FTX (2022): US$ 480 milhões
- Mt. Gox (2014): US$ 470 milhões
- Wormhole (2022): US$ 320 milhões
- DMM Bitcoin (2024): US$ 310 milhões
Saiba o que aconteceu
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, afirmou, em comunicado publicado na rede social X, que inicialmente acreditava que o ataque tivesse envolvido um laptop comprometido.
Ainda segundo o relatório, os hackers esvaziaram uma carteira quente da Binance por meio do EIP-7702. A operação ocorreu em aproximadamente 3 minutos e 24 segundos após a transação-chave.
“No entanto, nossa investigação subsequente descobriu pontos de violação adicionais”, acrescentou a empresa, sem fornecer mais detalhes.
De acordo com o site da corretora, a empresa mantém um fundo de ativos seguro para os usuários, com uma reserva de US$ 1 bilhão em bitcoins, destinada a proteger os clientes em caso de violação de segurança.
O co-CEO Richard Teng afirmou que as perdas seriam cobertas pelo fundo e pelos recursos da própria empresa.
Segundo a empresa americana de análise de blockchain TRM Labs, os criminosos comprometeram a “infraestrutura de assinatura” da Binance, responsável por autorizar transações. Isso permitiu que eles emitissem instruções que esvaziaram as carteiras afetadas.
A maior parte do roubo ocorreu em aproximadamente 20 minutos, conforme mostram os registros da blockchain.
Após transferirem os fundos, os hackers agiram rapidamente para enviá-los a locais fora do alcance das contrapartes da Binance e dos emissores de stablecoins, que conseguiram congelar aproximadamente metade dos ativos roubados.
Uma característica incomum de algumas criptomoedas, incluindo as principais stablecoins, como USDT, da Tether, e USDC, da Circle, é que seus emissores têm a capacidade de congelar os ativos remotamente.
Quem está por trás do ataque?
Diversas empresas americanas de análise de blockchain afirmaram que o ataque apresenta semelhanças com operações anteriores atribuídas a hackers norte-coreanos.
Teng afirmou que a investigação da Binance ainda não identificou os responsáveis pelo ataque. Enquanto isso, a Coreia do Norte nega rotineiramente qualquer envolvimento em ataques cibernéticos e roubos de criptomoedas.
A missão diplomática da Coreia do Norte em Genebra e a embaixada do país na China não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
A TRM afirmou que a violação apresenta características semelhantes às do ataque realizado no ano passado contra a corretora de criptomoedas Bybit, que o FBI atribuiu a hackers norte-coreanos.
A empresa declarou ter alto grau de confiança de que o mesmo grupo foi responsável pelo roubo na Binance.
Já a Chainalysis afirmou que os fundos roubados em um ataque realizado no mês passado contra a Bitget estavam sendo misturados aos recursos provenientes da violação de segurança da Binance.
E agora?
O roubo é o mais recente episódio de uma série de grandes violações envolvendo ativos digitais. Segundo a TRM Labs, os invasores roubaram US$ 2,9 bilhões em criptomoedas em quase 150 incidentes no ano passado.
O ataque também abalou a confiança no setor. As criptomoedas registraram queda na sexta-feira, enquanto o valor total de mercado das stablecoins diminuiu, movimento que sugere que os investidores estavam retirando dinheiro dos ativos digitais.
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*Com informações da Reuters

