Na próxima terça (3), os Estados Unidos vão às urnas nas midterms, as eleições de meio de mandato, onde ficam em jogo a Câmara dos Deputados, um terço do Senado e 36 governos estaduais.
A avaliação da Arko Advice, parceira de conteúdo do WW, é que o Partido Republicano do presidente Donald Trump chega nessa reta final na defensiva.
Na Câmara, a tendência é de uma retomada do controle por parte da oposição. Nos bastidores, a base de Trump não discute mais se vai perder o comando da casa, mas sim por quantas cadeiras perderão.
Deputados republicanos de distritos considerados seguros estão em “modo de emergência”, realizando arrecadação de última hora e investindo pesado em propaganda.
O motivo disso é o bolso da população americana, que sofre com o custo de vida, o aumento do preço dos combustíveis e a guerra contra o Irã. Tudo isso afasta parte do eleitor que deu vitória a Trump em 2024, principalmente os jovens trabalhadores. Por isso, projetamos uma maioria democrata na Câmara a partir dessas midterms.
Com uma maioria na Câmara, os democratas ganham poder de convocação de autoridades e poder de investigação. E é aqui que entra o Brasil.
Depois da nossa eleição presidencial vimos a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA e o governo americano chegou a confirmar essa passagem pela imigração na Flórida e liberação do senador brasileiro.
A novidade é que agora 25 deputados democratas cobram publicamente do Secretário de Estado Marco Rubio explicações sobre três pontos:
- Como o visto foi concedido;
- Se o governo americano sabia das investigações em andamento por lavagem de dinheiro;
- Se o Departamento de Estado teve algum papel na saída do Brasil do senador.
O caso de Flávio se torna um possível ponto de atrito entre Brasília e Washington, mas não é só isso. Caso a oposição vença na Câmara, a fuga de Flávio e a carta de teor golpista que foi divulgada podem virar questões públicas, podendo ser objeto de audiências.
E as políticas de Trump para o Brasil, como o apoio à família Bolsonaro, as tarifas e os potenciais acordos, passam a ter um custo diferenciado no congresso americano.
Um presidente enfraquecido em casa tende a ter menos espaço para confrontar outros governos no âmbito internacional. E as dificuldades de Trump também vão além da Câmara.
Enquanto isso, no Senado, a situação é um pouco mais equilibrada. Mas a disputa chegou a estados que eram considerados muito republicanos e seguros. Ohio é um exemplo, com uma disputa na casa alta tecnicamente empatada.
Estados como Kansas, Louisiana, Carolina do Sul e Nebraska também têm um pleito muito acirrado e que surpreenderam pela situação nas pesquisas eleitorais.
A Arko aponta para uma leve vantagem democrata, mas que deve ser vista como um alerta. O resultado das midterms pode levar semanas para sair. Isso porque diversos estados fazem a contagem de formas diferentes.
Alaska e Maine, por exemplo, contam votos ranqueados; Kansas aceita cédulas pelo correio até três dias depois das eleições; e a situação no Texas também pode levar a uma eventual recontagem.
Uma derrota ampla para o Partido Republicano transforma a presidência do Trump em uma presidência de fim de mandato. Os próprios parlamentares republicanos já admitem que a influência deles sobre a sigla pode diminuir.
Com isso, devemos ver também logo nos primeiros meses alguns testes, como uma possível votação sobre o impeachment do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, e uma disputa pela liderança republicana nas casas.
* Michael Lopez Stewart é sócio-diretor da Arko Advice. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.

