A Polícia Federal cancelou os passaportes de Flávio Bolsonaro (PL) após ele não entregar os documentos, conforme determinado judicialmente. Segundo delegados ouvidos pelo analista de Segurança Pública Elijonas Maia, o risco de fuga, alertado previamente pela corporação, se confirmou com a ida de Flávio aos Estados Unidos.
No domingo (25), logo após o resultado das eleições, a Polícia Federal encaminhou um pedido ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes informando o risco de fuga de Flávio Bolsonaro.
Entre os elementos apresentados pela corporação, estavam o poder econômico de Flávio e sua relação com Willer Tomaz, advogado que também se encontrava fora do Brasil e que é investigado no mesmo inquérito por suposta lavagem de dinheiro e suposta evasão de divisas.
A PF incluiu ainda no pedido uma declaração feita por Eduardo Bolsonaro em um podcast, na sexta-feira (23), na qual ele afirmou apoiar a saída de Flávio do Brasil caso este perdesse as eleições, o que de fato ocorreu.
“Os delegados dizem o seguinte: o risco de fuga se confirmou, algo que avisamos antes”, relatou Elijonas durante o Live CNN desta quarta-feira (28).
Críticas à PF
A determinação judicial previa que Flávio entregasse seus passaportes brasileiros à Polícia Federal, que os cancelaria, além de também entregar o passaporte italiano. No entanto, o governo brasileiro não pode cancelar o documento italiano sem autorização do governo da Itália.
Segundo confirmado pela CNN, Flávio entrou na Argentina com o passaporte italiano e nos Estados Unidos com o passaporte diplomático.
A situação gerou críticas à Polícia Federal, uma vez que Flávio conseguiu sair do Brasil mesmo com a determinação de entrega dos documentos e proibição de viagem.
De acordo com Elijonas, havia uma ala dentro da Polícia Federal favorável a uma medida mais gravosa, como uma busca e apreensão na residência de Flávio para recolher os passaportes. Essa medida, contudo, não foi autorizada por Alexandre de Moraes.
O caso se soma a uma lista de outros investigados que também deixaram o Brasil, entre eles os ex-deputados Carla Zambelli e Alexandre Ramagem, e o jornalista Allan dos Santos. A cúpula da PF ressalta que avisou ao Supremo Tribunal Federal sobre o risco de fuga antes que ele se concretizasse.

